Polícia

Apontado como assassino de facção em Canoas, preso foge e passa 42 dias sem ordem de recaptura

Nego Moisés teria participado de dois homicídios enquanto esteve solto

Foto de homicídio do dia 1º de agosto, no bairro Mathias Velho, em Canoas
Foto de homicídio do dia 1º de agosto, no bairro Mathias Velho, em Canoas Foto : Jaime Zanatta / Agência GBC / Especial CP

Um detento apontado como assassino de facção em Canoas, na Região Metropolitana, fugiu e passou 42 dias sem ser procurado na Justiça. O homem de 36 anos, de apelido Nego Moisés, ganhou progressão de pena ao regime semiaberto no dia 30 de julho, escapando após romper tornozeleira em menos de meia hora. Segundo a Polícia Civil, teria participado de dois homicídios até ser preso novamente, em 17 de setembro, não por ordem de recaptura, mas com mandado de prisão preventiva de um terceiro assassinato, em outro inquérito, sem qualquer relação com a fuga.

Foi a equipe de Inteligência do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) que deteve Nego Moisés, em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. Sua prisão havia sido expedida na 1ª Vara Criminal de Canoas em 28 de agosto, a pedido da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), referente a um assassinato no início do ano, quando ele seguia em regime fechado, mas era investigado como mandante do crime.

"Efetuamos diligências em conjunto com Brigada Militar para recapturá-lo. Não medimos esforços para tal”, afirmou a delegada titular da DHPP de Canoas, Graziela Zinelli.

A reportagem contatou a 2ª Vara de Execuções Criminais (VEC), em Porto Alegre, onde desde 2021 tramita o processo que manteve Nego Moisés em reclusão. Com nível de sigilo médio (nível 2), o caso tem veto de divulgação em petições, manifestações das partes e decisões. A jurisdição da peça é compartilhada por diferentes magistrados.

De acordo com a Polícia Penal, a fuga de Nego Moisés foi informada na mesma data à 2ª VEC, que enfatizou ter juntado o informe de imediato nos autos. A questão seguiu ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), que se manifestou em 21 de agosto, havendo ainda o tempo de comunicação da defesa. O fim do processo ocorreu em 8 de setembro, com expedição da ordem de recaptura no dia 12 daquele mês, dentro do prazo processual, sem atraso na análise das comunicações, reforçou a 2ª VEC.

Quem é Nego Moisés

As forças policiais dizem que Nego Moisés atuava na gangue Família Mathias Velho, oriunda do bairro de mesmo nome, em Canoas. O grupo é tido como dissidência da facção Bala na Cara, com base na Vila Bom Jesus, em Porto Alegre.

Teria sido expulso do bando após divergências. Depois, virou-se contra antigos aliados, passando a atacar os ex-comparsas.

Recebeu sua primeira autorização de ida ao semiaberto no dia 13 de março de 2023, voltando ao regime fechado após quase dois meses, em 10 de maio. Ficou recolhido até julho deste ano, quando teve nova progressão de pena.

Desde sua última detenção, segue na Penitenciária Modulada Estadual de Charqueadas (PMEC), na Região Carbonífera. Ali, está na galeria com integrantes da quadrilha Bala na Cara.

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