Polícia

Caso Kiss: presidente de associação que representa os pais das vítimas lamenta decisão de reduzir penas

TJRS refutou parcialmente os recursos das defesas dos quatro réus no caso Kiss, mas acataram redução de penas dos condenados

Familiares de vítimas utilizaram nariz de palhaço para lamentar a decisão do TJRS
Familiares de vítimas utilizaram nariz de palhaço para lamentar a decisão do TJRS Foto : Pedro Piegas

A decisão da 1ª Câmara Especial Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) de não atender parte dos recursos dos réus do Caso Kiss, mas acatar o pedido de redução das penas dos condenados, foi lamentada pelos familiares de vítimas e sobreviventes. Presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria (AVTSM), Flávio Silva afirmou que a entidade vai seguir lutando para reverter a redução das penas.

Flávio é pai da jovem Andrielle Righi, que faleceu com apenas 22 anos no incêndio da Boate Kiss, no dia 27 de janeiro de 2023, junto com outras 241 que perderam a vida na tragédia. Ele e outros familiares de vítimas enfrentaram uma viagem de mais de 4 horas de ônibus fretado, saindo de madrugada do Centro do RS até a Capital para acompanhar o julgamento dos recursos.

Assim que a decisão de reduzir as penas formou maioria entre os desembargadores, o grupo deixou o plenário. Do lado de fora do TJRS, antes de retornar para Santa Maria, o grupo instalou cartazes com fotos dos jovens mortos na tragédia, e se manifestaram contra a decisão. Condenados em dezembro de 2021 a penas entre 18 e 22 anos, os quatro réus tiveram seu tempo de reclusão reduzido para 11 e 12 anos. O presidente da associação criticou e lamentou a decisão.

Até o momento, o Ministério Público do RS (MPRS) não se manifestou sobre a diminuição da pena, mas informou que uma avaliação será feita para definir se vão recorrer da decisão. Já o presidente da AVTSM disse que a associação não vai deixar de lutar pela reversão. “O MPRS já conhece a nossa vontade e sabe que não vamos jogar a toalha. Vamos recorrer até a última instância. O cansaço maior está recaindo sobre nós, de ter nossos filhos assassinados e ainda ter que buscar forças para resistir”, disse Flávio, não escondendo o descontentamento.

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Redução das penas e regime semiaberto

Com a decisão do TJRS de reduzir as penas dos condenados, os advogados que representam Marcelo de Jesus dos Santos, Luciano Bonilha, Elisandro Spohr e Mauro Londero Hoffmann anunciaram que vão solicitar a progressão de regime para o semiaberto. O pedido poderá ocorrer nos próximos dias, dependendo da publicação da decisão proferida nesta terça-feira.

As penas de Marcelo de Jesus dos Santos (cantor da banda Gurizada Fandangueira) e Luciano Bonilha (auxiliar do grupo) reduziram de 18 anos para 11 anos de prisão. Já as penas dos sócios Elisandro Spohr e de Mauro Hoffmann caíram de 22 anos e 6 meses e 19 anos e 6 meses, respectivamente, para 12 anos de reclusão.