Foram presos, em menos de um mês, 102 foragidos por assassinato no Rio Grande do Sul. O anúncio ocorreu na manhã desta sexta-feira, em coletiva do Departamento Estadual de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP).
A cifra resulta da Operação Cerco Fechado, deflagrada contra fugitivos com mandado de prisão em aberto por homicídio. De 24 de novembro a 11 de dezembro, mais de 300 policiais cumpriram diligências em Porto Alegre, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Esteio, Alvorada, Gravataí, Canoas, Pelotas, Viamão, Santa Maria, Passo Fundo e Caxias do Sul.
Com técnicas de atuação discreta, foram realizadas 63 prisões na Capital, 22 na Região Metropolitana e 17 no interior. “Os policiais vestiram disfarces e monitoraram a rotina de criminosos no entorno de escolas, hospitais, comércios e pontos de tráfico. Agiram sem que fossem notados, pois todos os alvos têm condenação por homicídios, ou seja, são de alta periculosidade”, afirmou o delegado e diretor do DHPP, Mario Souza.
De acordo com Souza, o DHPP fez 1.014 prisões em território gaúcho desde janeiro. Além disso, Porto Alegre registra, por três anos consecutivos, homicídios abaixo do índice considerado epidêmico pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ainda conforme o delegado, também entraram nesse patamar Canoas, Pelotas, Caxias, Rio Grande e Novo Hamburgo.
O bom resultado foi atribuído ao Protocolo Estadual das Sete Medidas Contra Homicídios. “As facções vão sofrer prejuízo por cada morte determinada. O DHPP coloca força máxima contra cada assassinato, atingindo toda a hierarquia dos grupos criminosos. Não toleramos homicídios”, enfatizou o delegado Mario Souza.
Também na coletiva, a subchefe da Polícia Civil, delegada Patrícia Tolotti, não descartou a instalação de um setor da DHPP no Litoral Norte. A unidade ficaria na região de Atlântida Sul, em Osório, vinculada à Divisão de Homicídios do Interior (DHI). “Está no planejamento”, avaliou a subchefe da PC.
Dissuasão Focada
O Protocolo Estadual das Sete Medidas Contra Homicídios prevê transferência de presos, primeiro em âmbito estadual e depois ao sistema federal, asfixia financeira das facções, saturação de área, indiciamento de mandantes, apreensões pontuais, aumento de revistas em presídios e operações contra lavagem de dinheiro. Tem como base a teoria da dissuasão focada.
A metodologia visa reduzir crimes contra a vida por meio da repressão seletiva de pessoas, no caso, as responsáveis por ordenar assassinatos. O foco é influenciar os mandantes para que não provoquem mortes.
O criador da técnica foi o criminologista norte-americano David Kennedy, professor da Universidade de Nova York. Ele foi o responsável por aplicar a teoria nos Estados Unidos, tendo como principal exemplo Boston, onde houve redução brusca de homicídios em meados dos anos 1990. Outro case de sucesso é a Colômbia. No ano passado, após a prática da dissuasão focada, Medellín alcançou o menor nível de violência em 40 anos.
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