A exposição “Além das Grades: Memória, Justiça e Reintegração” foi aberta na tarde de quinta-feira, no Memorial da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. O lançamento contou com a realização da palestra “A História Social do Crime”, ministrada pela historiadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Cláudia Mauch, dando início à programação da mostra, que possui o objetivo de refletir sobre o sistema penal.
Promovida pela Divisão de Documentação e Memória e pela Comissão de Gestão da Memória da Justiça Federal, a mostra foi estruturada em duas temporadas. Nesta primeira fase, é apresentado um recorte histórico do ambiente carcerário na Capital.
No memorial, o público pode conferir fotografias do Presídio Central produzidas pelo juiz Sidinei Brzuska, além de processos e objetos que ajudam a contar a trajetória do sistema prisional. Entre os itens expostos estão documentos históricos que tratam de falsificação de moeda e registros de investigações antigas, além de peças como uma matriz de dinheiro falso e processos ligados a crimes de grande repercussão.
Também integra o acervo parte da documentação relacionada ao caso do túnel descoberto em 2006, construído por criminosos que planejavam invadir agências bancárias no Centro Histórico. O crime foi frustrado pela polícia.
A supervisora da Seção de Memória Institucional, Cristiane Galvan, destaca que a proposta é apresentar diferentes camadas da história penal e judicial. “Temos processos antigos da Justiça Federal, inclusive do século XIX, que tratam de falsificadores de moedas, além de materiais que ajudam a entender a evolução das estruturas e da atuação do Judiciário ao longo do tempo”, explica.
A exposição também aborda a criação de estruturas modernas da Justiça Federal, como a primeira vara especializada em crimes de lavagem de dinheiro do país, instalada no Rio Grande do Sul.
Um dos destaques da mostra é o espaço interativo, com uma mesa digital que permite ao visitante explorar a evolução das penas ao longo da história, desde códigos antigos até o sistema atual, além de acessar conteúdos complementares como indicações de filmes, séries e livros sobre o tema.
A reintegração social também é destacada como arte através da mostra “Artinclusão: A Vanguarda Antecipada”, do artista plástico Aloízio Pedersen. A obra apresenta 36 telas produzidas por internos do Instituto Psiquiátrico Forense (IPF). A mostra integra um acervo maior, com mais de 100 trabalhos desenvolvidos no projeto.
A segunda temporada da exposição, prevista para outubro, ampliará o foco para a classificação dos crimes federais e o funcionamento das ações penais, propondo uma reflexão sobre a diversidade da jurisdição federal e o impacto social das decisões judiciais.Também está prevista a inclusão do projeto “Caixas de Luz”, desenvolvido com apenados da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC), que produzem fotografias a partir de câmeras construídas por eles mesmos.
Conforme Cristiane, a programação deve incluir ainda rodas de conversa e debates com especialistas de diferentes áreas, como psicologia e direito, ao longo dos próximos meses. A exposição “Além das Grades” é aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 13h às 18h, com entrada gratuita, no Memorial da Justiça Federal, no prédio-sede da instituição, em Porto Alegre.
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