A família do produtor de morangos e feirante Marcos Daniel Nörnberg criou um abaixo-assinado online, solicitando que seja obrigatória a utilização de câmeras corporais por todos os policiais militares. Eles justificam o pedido dizendo que estudos demonstram que o uso do equipamento pode reduzir reclamações contra policiais e melhorar a conduta durante as abordagens. Além disso, as câmeras servem como um importante instrumento de transparência e podem fornecer evidências cruciais em casos de má conduta.
O agricultor morreu durante uma abordagem a sua residência, realizada por policiais militares do 4º Batalhão de Polícia Militar e do 5º Batalhão de Polícia de Choque, na madrugada de 15 de janeiro. No mesmo abaixo-assinado, a família também solicita que todos os policiais militares sejam submetidos a exames toxicológicos periódicos, realizados de forma aleatória e sem aviso prévio.
Viúva do agricultor, Raquel Motta Nörnberg conta que o filho Rodrigo Motta sempre reforçou a importância do uso de câmeras pelos policiais. Ao receber a visita do amigo de São Sepé, Filipi Ilha, eles tiveram a ideia da iniciativa. "Nosso amigo perguntou como poderia nos ajudar. Acho que tem um propósito forte eu ter passado pelo que passei, é uma luta importante. Ele sugeriu o abaixo-assinado e construímos juntos", conta.
Ela relata que ficou surpresa quando soube que as autoridades pediram que fosse realizado exame para detectar a presença de álcool e drogas no corpo de Nörnberg, o que segundo Raquel o resultado ainda não foi divulgado. "Mesmo que o meu marido tivesse tomado uma cerveja na noite anterior, se ele participou de um possível confronto, qual é a razão que todos os envolvidos e que entraram dentro da minha casa não passarem pelos mesmos exames?", questiona.
Ela afirma que isto ainda é possível ser solicitado pelas autoridades. "Minha batalha também é para que todos os envolvidos na ocorrência que tirou a vida do Marcos passem por exame toxicológico", observa. Raquel afirma que o abaixo-assinado deve ficar disponível até 22 de fevereiro, quando deve ser realizada uma nova manifestação nas ruas de Pelotas. "Nossa ideia era fazer um protesto no dia em que completa um mês da morte do meu marido, mas como cai no domingo de Carnaval, provavelmente precisaremos adiar por pelo menos uma semana, mas ainda estamos acertando detalhes", pondera.
O objetivo é que, após o protesto, o abaixo-assinado seja entregue ao governador Eduardo Leite e aos pré-candidatos ao governo do Estado. "Temos que garantir que seja um compromisso de campanha do próximo ocupante do Palácio Piratini", projeta. A viúva contou que teve acesso a alguns depoimentos prestados por policiais militares envolvidos no caso. "É revoltante tudo isto. A casa que eles procuravam é bem diferente da nossa e fica a mais de dois quilômetros de distância. Estou vivendo um dia de cada vez", observa.