Teve início, nesta quinta-feira, o segundo dia do julgamento do casal acusado de participação na morte de Ilza Lima Duarte, 77 anos, ocorrida em 2008, em Porto Alegre. O caso está sendo analisado pela 2ª Vara do Júri da Capital, presidida pela juíza Eveline Radaelli Buffon. Nesta manhã, a reportagem esteve na sessão, onde não foi permitido o registro de imagens nem uso de celular.
Na quarta-feira, foram realizadas todas as oitivas de plenário, num total de nove testemunhas. Também foram feitos os interrogatórios dos dois réus. Os trabalhos se encerraram por volta da 1h.
Conhecida na comunidade por trabalhos sociais ligados à religião anglicana, a idosa foi encontrada morta, em fevereiro de 2008, no apartamento onde morava, no Centro Histórico. O caso foi registrado como morte natural. Mas amigas desconfiaram e descobriram que ela foi assassinada por estrangulamento.
O segundo dia júri começou por volta das 9h30min, com debates de acusação e defesa. A primeiro fala foi do Ministério Público, representado pelo promotor Rafael Russomano.
De acordo com o promotor, os réus eram vizinhos e amigos próximos da vítima, além de constarem como beneficiários em cinco apartamentos de sua propriedade. A acusação sustenta que eles teriam planejado o homicídio para se apropriar dos bens, o que ambos negam.
Após a morte da idosa, os dois acusados renunciaram à herança. Porém, o auxiliar de serviços gerais do prédio onde a vítima morava, que já foi condenado como executor do homicídio, afirmou ter cometido o crime a mando do casal, com a promessa de receber um apartamento como pagamento.
"O executor não tinha motivos pessoais para cometer o crime, mas os mandantes, sim. Por causa da herança. Há vários depoimentos de amigas e vizinhas das vítimas que dizem que ela, após ter se afastado das sobrinhas, em 2005, as tirou do testamento e colocou, no lugar delas, os réus”, afirmou o promotor Rafael Russomano.
A denúncia é por homicídio e fraude processual, porque, segundo a acusação, os réus teriam mexido na cena do crime para parecer morte natural. O casal responde em liberdade.
Após a fala da defesa, haverá réplica por parte do MP e, em seguida, tréplica pela defesa. Na sequência, será feita a quesitação, ou seja, os jurados irão responder aos quesitos formulados, e, a partir dessas respostas, será proferida a sentença conforme o veredicto do Conselho de Sentença. A previsão é que o julgamento termine ainda nesta tarde.
Em nota, o advogado Jader Marques, que representa a defesa do casal, alegou inocência dos réus em relação às acusações.
"Foram sete anos de cuidados e um relacionamento familiar cercado de amor e atenção. A acusação, além de ser absolutamente infundada, não foi demonstrada pela polícia ou pelo órgão da acusação. A família adotou a idosa, deu-lhe carinho e assistência. Quanto ao testamento, foi desejo da própria Sra. Ilza, como gratidão pelo tempo de convivência. O casal renunciou ao testamento", diz a manifestação.
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