Diante da liderança de casos de feminicídio que o Rio Grande do Sul registrou nos últimos meses e com o objetivo de combate à violência contra a mulher e a promoção da igualdade de gênero, Porto Alegre sediou nesta quarta-feira o lançamento da campanha “Fim da Linha para a Violência contra a Mulher" e a reativação do Comitê Gaúcho em Apoio ao "HeForShe" (ElesPorElas), iniciativa da ONU Mulheres. A ação visa ao combate à violência contra a mulher, feminicídio, assédio e a promoção da igualdade de gênero. O anúncio da campanha ocorreu na Estação Mercado da Trensurb, por ser um espaço de ampla circulação, e a restauração do comitê na Unilasalle de Canoas.
A iniciativa contará com apoio de órgãos públicos, como a Assembleia Legislativa, a Defensoria Pública, o Tribunal de Justiça e a Câmara Municipal, além de universidades federais e privadas, institutos federais de educação, coletivos, instituições psicanalíticas, entre outros.
A primeira parte da campanha pretende divulgar imagens de casas – locais onde acontecem o maior número de violências e agressões, e serão inseridas tanto por fora quanto por dentro de vagões de trens. Nessas imagens, haverá informações e mensagens, como a comparação de tempo médio entre uma estação e outra e o tempo que uma mulher leva para denunciar uma violência. Ela também terá distribuição em redes sociais e pelas ruas, com cartazes.
O vocalista da banda Nenhum de Nós, Thedy Corrêa, assume a Coordenação no Estado. Ele já fazia parte do comitê desde a fundação, mas desta vez representa o Rio Grande do Sul oficialmente. Sua relação com a causa começou no final de 1980 com a canção Camila, lançada em 1987, que alçou a banda à fama. "Essa canção se transformou em uma causa", ele disse. Foi uma música que há 40 anos levantou a questão de uma relação abusiva e da violência de gênero". Como parte da campanha, a música terá adaptações na letra.
- Gaúcha é morta a facadas em Santa Catarina
- Começa júri de acusado por assassinar namorada com golpe "mata-leão" em Porto Alegre
- Homem é condenado a 25 anos de prisão por feminicídio em Cachoeirinha
O articulador Nacional do HeForShe, Edegar Pretto, afirmou que a violência contra as mulheres está enraizada como uma questão cultural da sociedade, e que a campanha tem por objetivo ser um mobilizador da sociedade civil. "É muito importante os governos nas três esferas destinar orçamento para enfrentamento da violência contra as mulheres, para gerar políticas públicas de empoderamento, de independência econômica", afirmou. Acrescentou, ainda, que a ideia da campanha vem de um local de grande circulação e para trazer, além da reflexão sobre a causa, informações acessíveis de onde a mulher pode buscar ajuda e saber que ela não está sozinha.
Reativação do Comitê Gaúcho HeForShe/ElesPorElas