Polícia

Julgamento do caso Eliseu Santos é retomado em Porto Alegre

Previsão é de que sessão dure 12 horas na 1ª Vara do Tribunal do Júri

Julgamento do caso Eliseu Santos é retomado em Porto Alegre
Julgamento do caso Eliseu Santos é retomado em Porto Alegre Foto : Eduardo Paganella / Rádio Guaíba / Especial / CP
Após ser interrompido no final da noite dessa quinta-feira, o julgamento de dois réus envolvidos na morte do ex-vice-prefeito da Capital Eliseu Santos foi retomado na manhã desta sexta-feira na 1ª Vara do Tribunal do Júri, em Porto Alegre. A primeira sessão durou cerca de oito horas e a previsão é de que hoje os trabalhos durem 12.

Na primeira hora do depoimento de um dos réus, ele negou todas as acusações que o relacionam à morte de Santos. Ele afirmou que estaria furtando um pneu no local do crime. Em um segundo momento, a discussão entre a acusação e defesa se intensificou. 

Ambos os réus podem permanecer em silêncio mas, caso decidam falar, a expectativa é de que os interrogatórios durem, ao todo, uma hora. Depois, acusação e defesa terão duas horas e meia cada para argumentar. Um acordo entre as partes pode resultar em réplica e tréplica, somando mais duas horas para cada lado. Ao término, os sete jurados ainda terão mais duas horas para debate em uma sala secreta. Ontem, seis testemunhas prestaram depoimento.

Os promotores de Justiça Lúcia Helena Callegari e Eugênio Paes Amorim defendem a tese de que os réus cometeram homicídio quadruplamente qualificado (motivo torpe, emprego de meio que resultou em perigo comum, emprego de meio que dificultou a defesa, e para assegurar a impunidade de outros crimes).

Processo

Conforme Ministério Público, a execução de Eliseu foi encomendada após a quebra de contrato da vigilância Reação com a Prefeitura. A empresa fazia serviço de segurança em postos de saúde. O negócio foi desfeito após a Pasta da Saúde, da qual Eliseu era titular, descobrir um esquema de corrupção, com a cobrança de propina, para manter o convênio.

Segundo essa tese, entre os mandantes do crime estão o dono e funcionários da Reação. Para cada um dos executores, foram pagos supostos R$ 15 mil. “Eu entendo que a prova está se encaminhado para aquilo que a gente sempre disse, de que se trata de um homicídio de encomenda”, avaliou a promotora Lúcia Helena.

Crime

Eliseu Santos morreu baleado com dois tiros na noite de 26 de fevereiro de 2010, quando saía de um culto evangélico na rua Hoffmann, no bairro Floresta, acompanhado da mulher e da filha. Treze pessoas respondem, na Justiça, pelo assassinato. Em seis anos, o júri popular iniciado é o primeiro a se concretizar.

Responsável pelos disparos contra o político, o réu Eliseu Pompeu Gomes segue detido, mas chegou a ser liberado após o crime. Em 2014, ele trocou tiros com PMs em São Leopoldo, no Vale do Sinos, e voltou à prisão. Pela tentativa de homicídio contra os militares, Pompeu recebeu pena de 49 anos de prisão. O segundo réu, Fernando Júnior Treib Krol, espera julgamento em liberdade.

Gomes e Krol ainda respondem por cinco crimes conexos: comunicação falsa de crime (apenas Gomes), receptação de veículo roubado (do carro usado no ataque), adulteração de placa, fraude processual (queima do veículo) e formação de quadrilha.