Legítima defesa no caso dos quatro mortos em pizzaria é repudiada pelos advogados das famílias

Legítima defesa no caso dos quatro mortos em pizzaria é repudiada pelos advogados das famílias

Já os defensores do policial militar, autor dos tiros, concordam com a conclusão do inquérito

Correio do Povo

Imagens de uma câmera de monitoramento registraram o fato

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Os familiares das quatro vítimas baleadas e mortas por um policial militar dentro de uma pizzaria no bairro Mário Quintana, em Porto Alegre, estão revoltados e querem justiça após a conclusão da Polícia Civil de que tratou-se de uma legítima defesa do brigadiano. Representando eles, os advogados Daniel Zalewski Cavalcanti e Ismael Schmitt manifestaram-se também sobre o rumo do caso.

“A gente recebeu com muita surpresa e muita tristeza o término do inquérito desta forma”, afirmou o advogado Daniel Zalewski Cavalcanti à reportagem do Correio do Povo na manhã desta sexta-feira. “Para mim foi um extermínio: tiros na cabeça em quatro pessoas não foi legítima defesa. Vamos comprovar que foi uma execução”, considerou. “A gente crê muito na Justiça e no Ministério Público”, acrescentou.

Já os advogados David Leal e Raiza Hoffmeister, defensores do policial militar, concordaram com a conclusão de que foi um caso de legítima defesa. “Para nós já era esperado que fosse esta conclusão, porque não há argumentos que justifiquem outro posicionamento”, avaliou o advogado David Leal ao Correio do Povo.

“As imagens são bastante claras e deu para ver que meu cliente fugiu do grupo. Eles ainda assim foram atrás dele tentando praticar uma espécie de vingança privada por ter entrado no pátio atrás da ex-namorada. Eles reagiram de forma hostil e agressiva e teriam tirado arma dele se não tivesse disparado”, observou. “Meu cliente agiu em legítima defesa e dentro dos limites da lei”, concluiu.

As vítimas foram dois irmãos, de 33 e de 38 anos, além de um primo, de 28 anos, e um sobrinho, de 26 anos. O fato ocorreu dentro do banheiro do estabelecimento comercial, situado na avenida Manoel Elias, no bairro Mário Quintana, na madrugada do dia 13 de junho passado.

Houve o registro dos acontecimentos em imagens de uma câmera de monitoramento existente no recinto de acesso ao banheiro. Nelas, o grupo aparece em busca ao policial militar, seguido de duas mulheres que já foram ouvidas no inquérito da 5ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (5ª DPHPP) de Porto Alegre.


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