Polícia

Operação de combate a homicídios prende 70 pessoas na Região Central do Estado

Ação da Polícia Civil busca desarticular organização criminosa ligada a homicídios, com atuação nas ruas e no sistema prisional

Ações ocorrem em Santa Maria, Restinga Sêca e Caçapava do Sul, além de cinco casas prisionais
Ações ocorrem em Santa Maria, Restinga Sêca e Caçapava do Sul, além de cinco casas prisionais Foto : Polícia Civil / CP

A Polícia Civil prendeu 70 pessoas na manhã desta quarta-feira durante a Operação Padrinho, deflagrada para combater homicídios e a atuação de uma organização criminosa na Região Central do Rio Grande do Sul. A ofensiva mobiliza também a Brigada Militar (BM), a Polícia Penal e o Instituto-Geral de Perícias (IGP), com o cumprimento de mais de 230 ordens judiciais.

As ações ocorrem em Santa Maria, Restinga Sêca e Caçapava do Sul, além de cinco casas prisionais: a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC), a Penitenciária Estadual de Santa Maria (PESM), o Presídio Regional de Santa Maria (PRSM), a Penitenciária Estadual de Júlio de Castilhos (PEJULI) e a Penitenciária Estadual de Santa Maria (PESB). As ordens incluem mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, sequestro de veículos e bloqueio de contas bancárias.

A investigação começou em 13 de agosto de 2025, a partir da apuração de um homicídio qualificado no bairro Nova Santa Marta, em Santa Maria. Na ocasião, a vítima foi morta com 15 tiros de calibre 9 milímetros em frente à própria residência.

A análise da rota de fuga dos atiradores levou os investigadores a identificar a participação de integrantes de uma organização criminosa local. Conforme a Polícia Civil, o assassinato teria sido uma retaliação determinada pela cúpula do grupo, após um conflito anterior entre criminosos.

Segundo o delegado Adriano Rossi, titular da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Santa Maria, as diligências revelaram uma estrutura hierárquica, com divisão de tarefas e ligação com uma organização criminosa de alcance estadual. A investigação também apontou a articulação entre integrantes que estavam nas ruas e lideranças que atuavam de dentro do sistema prisional.

“Ficou comprovado que a cúpula da organização exercia influência sobre duas importantes galerias do sistema prisional local, utilizando o espaço carcerário para coordenar a logística do narcotráfico, gerenciar rotinas internas e expedir ordens de execuções extramuros”, afirmou Rossi.

A polícia também identificou o uso de armas de grosso calibre e a movimentação de recursos provenientes do tráfico de drogas, que, segundo a investigação, eram ocultados de forma ilícita.

O nome da operação faz referência à maneira como o líder máximo da organização era tratado pelos subordinados. De acordo com a Polícia Civil, ele exercia o comando do grupo e determinava ataques contra rivais e pessoas apontadas como informantes.

O diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, delegado Mario Souza, ressaltou a importância da ação no combate ao crime organizado. "A operação atinge o cerne estrutural do grupo, visando não apenas a responsabilização penal pelos homicídios, mas também o isolamento de seus integrantes e o estrangulamento financeiro e logístico da organização criminosa, visando neutralizar por completo a sua capacidade de articulação criminal", destacou.

A ofensiva integra o Protocolo das Sete Medidas de Enfrentamento aos Homicídios do DHPP (P7), voltadas à repressão qualificada de crimes violentos letais e à responsabilização de integrantes de grupos criminosos envolvidos em episódios de extrema violência. Os presos serão encaminhados para o sistema prisional.

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