Polícia

Polícia gaúcha faz buscas em SP e SE contra influencers suspeitos de receber dinheiro de golpes

Aliados a grupo de Passo Fundo, influencers e operador financeiro teriam lesado moradora de Canoas em R$ 40 mil com “golpe do falso investimento”

Polícia gaúcha faz ação contra golpistas no RS, SE e em SP
Polícia gaúcha faz ação contra golpistas no RS, SE e em SP Foto : Polícia Civil

A Polícia Civil desarticulou, nesta quinta-feira, um grupo suspeito de aplicar o chamado “golpe do falso investimento”. Ordens de busca e apreensão foram cumpridas contra alvos em Passo Fundo, no Norte gaúcho, e nos estados de Sergipe e São Paulo, onde pelo menos duas influenciadoras digitais são investigadas. Uma das vítimas do esquema é uma mulher de 59 anos, moradora de Canoas, lesada em R$ 40 mil.

Os mandados judiciais foram executados por agentes da 3ª DP de Canoas, sob o comando da delegada titular Luciane Bertoletti. A ação teve o apoio da Delegacia Seccional de Americana (SP) e da Delegacia de Crimes Cibernéticos do Sergipe.

Entenda o golpe do falso investimento

A investigação começou em janeiro, após a vítima procurar a delegacia. Ela relatou que caminhava no centro de Canoas quando foi abordada por um homem, que pediu informações sobre o endereço de um escritório de investimentos. A justificativa era que o pai dele, recém-falecido, havia deixado quantias no local.

Logo depois surgiu um segundo homem, que se aproximou, disse que ajudaria a encontrar o lugar indicado e ainda ofereceu para ligar ao suposto escritório. Do outro lado da linha, uma secretária informou que havia R$ 2 milhões para recebimento, mas o dinheiro só poderia ser retirado caso o beneficiário estivesse acompanhado de duas testemunhas.

A dupla de golpistas, então, convenceu a vítima a ir ao tal escritório. O lugar era de fato uma sala, e tinha ares de agência profissional. Havia até uma mulher que dizia ser secretária. Tudo não passava de uma farsa para enganar a vítima.

Ali, a funcionária disse que seria preciso depositar um “valor de entrada” para sacar o dinheiro acumulado. O beneficiário alegou que não tinha conta no banco, e pediu para a vítima enviar a quantia, garantindo que quitaria o montante depois. E assim ela foi ludibriada a transferir R$ 40 mil, como forma de garantia do saque do investimento ao golpista.

Esquema em Passo Fundo, Aracaju e São Paulo

A investigação apontou que o dinheiro da vítima foi transferido, inicialmente, a um grupo em Passo Fundo. Depois, ocorreu o repasse dos valores para um homem em Aracaju, no Sergipe. Ele atuava como um operador financeiro do esquema.

O sergipano administrava diferentes contas bancárias, todas com o dinheiro de golpes. As quantias foram empenhadas na aquisição de criptomoedas.

Por fim, houve a transferência dos ativos virtuais para uma empresa de publicidade, em nome de uma influenciadora digital, na capital de São Paulo. Além dela, pelo menos mais uma influencer também é suspeita de se locupletar com o lucro ilícito.

Nas redes sociais, elas promovem jogos ilegais, como jogo do tigrinho e apostas/bets. As páginas também ostentam veículos avaliados em mais de R$ 1 milhão e maços de dinheiro, supostamente auferidos com os jogos, além de conter anúncios sobre sorteios e rifas.

Grupo pode ter lesado vítimas em mais de R$ 500 mil

Na ação de hoje, foram apreendidos celulares, cartões bancários, computadores, pendrives e carros de luxo. A suspeita é que o grupo tenha movimentado mais de R$ 500 mil. Isso porque foram identificadas mais duas possíveis vítimas, no Paraná e no Mato Grosso, lesadas em R$ 400 mil e R$ 100 mil, respectivamente.

A delegada Luciane Bertoletti destaca que os crimes apurados são estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. O envolvimento de outros influencers no esquema não é descartado.

“A investigação aponta para possível crime de lavagem de dinheiro, com movimentações vultuosas nas contas dos investigados. Uma parte desses valores seriam misturados com o faturamento da empresa das influencers e outra parte, convertida em criptomoedas. Com a mescla do capital e a ocultação dos ativos provenientes de infrações penais, os investigados lavariam o dinheiro ilícito”, explica a titular da 3ª DP de Canoas.

Veja Também