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Polícia gaúcha prende suspeitos de aplicar e ensinar "golpes do falso advogado" em São Paulo

Operação Falso Patrono mira grupo criminoso que utilizava dados de advogados gaúchos e escritórios para cometer estelionatos

Operação prende suspeitos de aplicar golpes contra advogados gaúchos
Operação prende suspeitos de aplicar golpes contra advogados gaúchos Foto : Polícia Civil / CP


A Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DRCPE/DERCC) teve como alvo nesta terça-feira um grupo investigado por praticar e ensinar “golpes do falso advogado”. Conforme a Polícia Civil, a quadrilha fez diversas vítimas no Rio Grande do Sul, mas tem base em São Paulo, onde foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 17 ordens de busca e apreensão. Dois homens foram presos, sendo um deles apontado como chefe do esquema.

Com apoio de agentes paulistas do Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC/PCSP), a chamada Operação Falso Patrono ocorreu após um ano de apurações. A ofensiva foi fruto de denúncias feitas por advogados gaúchos sobre a utilização indevida de seus dados e escritórios.

O delegado João Vitor Herédia explicou que os golpistas fingiam ser profissionais do ramo jurídico e, assim, faziam contatos fraudulentos com clientes de advogados legítimos. Como se isso não bastasse, os estelionatários ainda seguiam uma espécie de cartilha sobre como aplicar golpes.

"Os participantes do esquema se dividiam em funções de tecnologia, logística e administração de lucros. Além disso, o líder do grupo produziu uma cartilha que ensinava como aplicar os golpes. Esse texto continha orientações sobre as formas de abordar vítimas”, afirmou o delegado João Vitor Herédia.

A investigação apontou que o líder do bando era responsável por abordar diretamente as vítimas e criar meios logísticos do golpe. Ele também mantinha contato com pessoas de interesse, como advogados criminais que fariam a defesa dele e dos seus em caso de prisão, e utilizava contas bancárias de familiares para receber e ocultar os valores oriundos do esquema. O sujeito acumula registros policiais por estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Entenda o golpe do falso advogado

De acordo com o delegado João Vitor Herédia, a fraude se desenrola a partir de métodos que combinam engenharia social e acesso a informações públicas. Isso porque os golpistas monitoram sistemas de tribunais e identificam processos, especialmente aqueles envolvendo pagamentos de precatórios, Requisições de Pequeno Valor (RPVs) e indenizações.

Após escolher uma ação judicial, o estelionatário coleta os nomes das partes, CPFs, nomes dos advogados e número do processo. Em posse desses dados, ele então entra em contato com as vítimas, geralmente via WhatsApp ou ligação telefônica, e finge ser o advogado responsável ou um assessor do escritório dele.

O golpista informa que um valor expressivo, de precatório ou indenização, foi finalmente liberado e, para dar veracidade ao engodo, envia documentos falsos com timbres do Poder Judiciário.

O ponto crucial do golpe é a condição imposta para a liberação do dinheiro: a vítima precisa pagar "custas processuais", "impostos" ou "taxas cartorárias" de forma antecipada. O pagamento é invariavelmente solicitado via PIX para contas de laranjas.

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