A Polícia Civil confirmou que não tinha conhecimento prévio da ação realizada pela Brigada Militar (BM) que resultou na morte do produtor rural Marcos Daniel Nörnberg, de 48 anos, durante a madrugada de quinta-feira, em Pelotas, na Região Sul do Estado. A informação foi confirmada pelo delegado César Nogueira, responsável pela apuração do caso, ao atualizar o andamento das investigações.
Segundo o delegado, a BM não comunicou a Polícia Civil antes da operação. Ele explicou que essa comunicação não é uma praxe obrigatória e que, a partir das informações recebidas pelo setor de inteligência da BM, foi feita uma avaliação interna que levou à decisão de atuação imediata. “Eles entenderam que era o caso de agir naquele momento. O desfecho, infelizmente, foi negativo, mas agora a gente tem que entender como essa informação chegou, se ela foi checada, e entender esses maiores detalhes.”, afirmou.
- Emoção marca despedida de produtor rural morto por policiais militares de Pelotas
- Lagoa do Peixoto, em Osório, segue imprópria para banho
- Eduardo Leite evita condenar atuação de policiais no caso de Pelotas: “Precipitado”
Na manhã desta sexta-feira, o delegado se reuniu com integrantes da Corregedoria da Brigada Militar, que foram enviados a Pelotas para conduzir o Inquérito Policial Militar (IPM). O encontro teve como objetivo alinhar a troca de informações entre as duas instituições, compartilhando os detalhes já coletados, tanto no inquérito da Polícia Civil quanto no procedimento interno da BM. A intenção, conforme Nogueira, é permitir que ambos os inquéritos avancem de forma coordenada.
Em relação às oitivas, o delegado informou que os depoimentos já estão sendo organizados. A oitiva de Raquel, esposa de Marcos, está inicialmente agendada para a próxima segunda-feira, às 14h, embora exista a possibilidade de que ela seja ouvida ainda nesta sexta-feira, dependendo de sua condição emocional após o sepultamento ocorrido pela manhã. A Polícia Civil está em contato com o advogado da família para avaliar essa possibilidade.
Somente após a tomada de depoimento das testemunhas familiares é que os policiais militares envolvidos na ação também deverão ser ouvidos, o que deve ocorrer a partir de terça-feira. Esses depoimentos são considerados fundamentais para esclarecer a dinâmica da ocorrência, desde a chegada das guarnições ao local até os disparos efetuados.
O delegado esclareceu ainda que o prazo legal para a conclusão do inquérito policial é de 30 dias, contados a partir da instauração. Apesar disso, a Polícia Civil trabalha com a expectativa de concluir a investigação antes desse período, caso seja possível. Ao final, o inquérito será remetido ao Poder Judiciário.
O caso segue sendo investigado para esclarecer todas as circunstâncias da ação policial, incluindo a origem das informações que motivaram a operação, a forma como ela foi executada e a conduta adotada. Novas atualizações deverão ser divulgadas conforme o avanço das apurações.