Polícia

Eduardo Leite evita condenar atuação de policiais no caso de Pelotas: “Precipitado”

Governador e Comandante-geral da Brigada Militar reforçaram que caso será apurado com rigor

Governo do Estado fala sobre caso de produtor rural morto durante ação da BM em Pelotas. Da esq. à dir.: Governador Eduardo Leite; secretário de Segurança Pública, Mário Ikeda e Comandante-Geral da Brigada Militar, coronel Cláudio Feoli.
Governo do Estado fala sobre caso de produtor rural morto durante ação da BM em Pelotas. Da esq. à dir.: Governador Eduardo Leite; secretário de Segurança Pública, Mário Ikeda e Comandante-Geral da Brigada Militar, coronel Cláudio Feoli. Foto : Alina Souza

O governador Eduardo Leite afirmou que ainda é precipitado condenar ou absolver a atuação dos policiais militares envolvidos na morte de um produtor rural em Pelotas, no Sul do Estado, durante uma diligência realizada na madrugada desta quinta-feira. A declaração foi feita durante coletiva de imprensa para apresentação dos dados de criminalidade de 2025, na noite de quinta. Esta foi a terceira vez que Leite falou sobre o assunto no dia.

Na apresentação, realizada no Palácio Piratini, em Porto Alegre, Leite se solidarizou com a família da vítima e garantiu rigor na apuração dos fatos.

“Não há que se fazer qualquer julgamento precipitado no sentido de condenar quem quer que seja. Não vou sair defendendo uma atuação que ainda está sob análise, nem tampouco condenando. O nosso compromisso, contudo, é inequívoco: solidarizamo-nos com a família e lamentamos profundamente o ocorrido. Objetivamente, houve um erro, ou ao menos um equívoco. De que parte, em que circunstâncias e de que forma isso se deu, tudo isso ainda precisa ser analisado, entendido e devidamente apurado para que se dê a consequência adequada”, afirmou o governador.

Leite ressaltou ainda que a Brigada Militar (BM) é composta por homens e mulheres que não são infalíveis e reforçou que o caso será investigado com rigor pelo Estado. “Caso se confirme que alguém, em nome do Estado, errou, haverá responsabilização. Da mesma forma, haverá a revisão de procedimentos, processos e da capacitação, com o objetivo de reduzir injustiças e evitar que situações semelhantes se repitam”, completou.

Também presente na coletiva, o comandante-geral da Brigada Militar, coronel Cláudio Feoli, explicou que a propriedade rural passou a ser alvo de suspeitas a partir do depoimento de dois criminosos presos em Foz do Iguaçu, no Paraná. Eles foram detidos após participarem do cárcere privado, por cerca de 36 horas, de um caseiro no Rio Grande do Sul, além do roubo de três veículos. Segundo a BM, os suspeitos tinham ligação com facções criminosas gaúchas.

Governo do Estado apresenta indicadores consolidados de criminalidade de 2025. Com a fala, Comandante-Geral da Brigada Militar, coronel Cláudio Feoli. | Foto: Alina Souza

De acordo com informações repassadas pela polícia paranaense, os homens afirmaram que a residência funcionava como depósito de veículos roubados e drogas, além de contar com cinco pessoas responsáveis pela segurança do local.

“Com base nessas informações, foi realizada a abordagem e feita a junção de guarnições para que chegássemos com supremacia de força diante do contexto estabelecido a partir do relato desses dois delinquentes presos. A partir daí houve a aproximação da propriedade rural, momento em que, não há como dizer de outra forma, ocorreu um grande equívoco. Isso não é um julgamento preliminar, é uma constatação”, afirmou Feoli.

O comandante-geral relatou ainda que o produtor rural acreditou estar sendo alvo de um assalto e atirou contra o que, na verdade, eram policiais militares. Segundo Feoli, um colete balístico utilizado na aproximação foi perfurado por disparos, o que levou à reação dos agentes. “A partir disso, houve a reação dos policiais militares, que resultou na trágica morte do produtor rural”, concluiu.

O que já se sabe

O produtor rural Marcos Daniel Nörnberg, de 48 anos, foi morto pela Brigada Militar (BM) durante a madrugada desta quinta-feira, em Pelotas, na Região Sul do Estado. A vítima foi alvejada por diversos disparos após, supostamente, ter disparado tiros de arma de fogo contra os policiais militares que faziam diligências no local.

A Polícia Civil e a Brigada Militar instauraram inquéritos para apurar as circunstâncias da ação. As investigações preliminares indicam que ao menos 16 policiais participaram da operação.

A Brigada Militar manifestou-se, por meio de nota, na tarde desta quinta-feira sobre a operação que matou o produtor rural. A guarnição informou que a operação foi planejada após informações recebidas da Polícia Militar do Paraná, de que, no local onde Marcos Nörnberg morava, haveria indivíduos envolvidos em um crime de roubo de armas e veículos, que teria ocorrido na terça-feira.

Pela manhã, o governador Eduardo Leite afirmou que o Rio Grande do Sul tem uma polícia preparada, mas ressaltou que nenhuma instituição está imune a erros. Segundo ele, o episódio precisa ser apurado com rigor para esclarecer se houve falhas de procedimento.

À tarde, Leite fez uma nova manifestação sobre o caso. O governador afirmou que haverá consequências caso seja apurado algum erro por parte da guarnição. "Se houver apuração de erros, haverá consequências para aqueles que tiverem errado", disse durante evento no Palácio Piratini.

Marcos Daniel Nörnberg, de 48 anos, foi morto durante ação da Brigada Militar nesta quarta-feira | Foto: Redes Sociais / CP

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