Polícia

Abordagem da ação da BM que matou produtor rural está sendo analisada, afirma corregedor-geral

Os 18 agentes envolvidos na operação foram afastados, e diferentes materiais sobre o caso estão sendo recolhidos

Marcos Daniel Nörnberg, de 48 anos, foi morto durante ação da Brigada Militar nesta quarta-feira
Marcos Daniel Nörnberg, de 48 anos, foi morto durante ação da Brigada Militar nesta quarta-feira Foto : Redes Sociais / CP

A morte do produtor rural Marcos Daniel Nörnberg, de 48 anos, em ação da Brigada Militar em Pelotas, está sendo investigada e com informações a serem esclarecidas sobre a abordagem e a maneira como ação foi conduzida. De acordo com a BM, os 18 agentes envolvidos na operação foram afastados, e diferentes materiais estão sendo recolhidos para a investigação do caso.

Sobre a maneira com que a guarnição entrou na casa e começou a efetuar os disparos no produtor, o corregedor-geral da Brigada Militar do RS, Rodrigo Assis Brasil Ramos Aro, justifica que a decisão do comando local se deu pelo tipo de crime noticiado à guarnição. "A notícia, da forma como veio, com a presença de indivíduos da facção armados em um local com outros objetos de crime, nos permitiram diligenciar com relação a isso. Infelizmente, nós tivemos um evento trágico na medida em que os indivíduos chegam à propriedade", diz.

A operação foi planejada após informações recebidas da Polícia Militar do Paraná. Lá, estariam dois suspeitos de um crime de roubo de armas e veículos, que envolveu quatro pessoas e que teria ocorrido na terça-feira. Dois foram presos no Paraná na quarta, e a informação recebida é de que os outros dois seriam residentes de Pelotas e estariam no local onde Marcos Noremberg morava.

Aro afirma que as informações da Polícia do Paraná teriam sido repassadas pelos próprios criminosos, inclusive, com o georeferenciamento do local, e isso teria motivado a atuação da BM. Ainda não há detalhes sobre a especificação do local, como quem morava na residência. "Como a polícia militar do Paraná diligenciou para chegar neste resultado, isso vai ser objeto parte da nossa investigação, mas sim, foi fruto da abordagem da prisão dos dois indivíduos com os veículos que eram do Estado", diz.

Ele argumenta que, diariamente, a PM recebe notícias, denúncias e informações de condutas criminosas praticadas por indivíduos, e que elas conduzem a necessidade de atuação policial, e que as decisões são "operacionais" e do comando local.

A operação ocorreu às 3h da madrugada. Questionado se o horário da operação era adequado para fazer esse tipo de operação, o comandante respondeu que a questão ainda vai ser avaliada, mas que, na atuação da Polícia Militar, a situação de qualquer policial em um cenário de flagrante não tem horário específico. "Essa ação pela forma como ela tinha sido repassada, não dependeria do horário propriamente dito. Mas ela poderia ser feita de outras formas? Isso é uma questão que nós vamos avaliar no inquérito", diz.

Veja Também

A viúva do produtor, Raquel Amorim Motta Nörnberg, relatou, em entrevista, que ficou horas sem ser autorizada a sair de casa, além de ter que ficar ajoelhada sobre cacos de vidro. O seu relato sobre a conduta dos policiais também irá integrar os autos do inquérito. "Aquilo que ela nos traz, inclusive, como uma possível violência na atuação dos policiais em como eles abordaram ou eventualmente a desrespeitaram, isso é objeto do inquérito", afirma. Além do seu testemunho, capturas de vídeos locais também entrarão nos autos para serem analisados.

"Nenhum policial militar tem o direito de, no atendimento de uma pessoa, humilhar ou fazer qualquer tipo de violência à dignidade dela", diz Aro. "Vamos investigar no inquérito essas alegações que são trazidas por ela, dos abusos cometidos pelos policiais militares", completa.