No início do segundo dia de julgamento do bioquímico Ênio Luiz Carnetti, os Promotores de Justiça Lúcia Helena Callegari e Eugênio Paes Amorim, do Ministério Público/RS, manifestaram confiança na condenação e criticaram a ausência do réu na sessão.
“Os jurados já conheceram o processo e familiarizaram-se com as provas. Vamos mostrar realmente o que é a verdade e afastar a absurda alegação de que o réu estava em surto psicótico”, disse Lúcia Helena Callegari. Ela falou ainda sobre a ausência do réu nos dois dias de julgamento. “Eu lamento que ele não esteja aqui. Eu queria que olhasse todas fotos do que fez. Não tem perdão, não tem como perdoar. Ele matou o filho de cinco anos e anos e a companheira. Ele nunca chegou para a família das vítimas e pediu desculpas. Ele perdeu agora a chance”, resumiu.
Os dois Promotores de Justiça pretendiam interrogar o réu que optou por não permanecer no julgamento e voltou ainda na segunda-feira para a Cadeia Pública (antigo Presídio Central), onde cumpre pena em uma cela especial. “Ele quis se esconder e não quis esclarecer nada. Entendo que não foi uma boa estratégia de defesa e pode virar-se contra o réu”, avaliou Lúcia Helena Callegari.
Já o Promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim disse que o primeiro dia de julgamento ocorreu conforme o esperado. “A defesa não tem muito o que argumentar em termos técnicos. O réu tinha plena capacidade”, afirmou, referindo-se ao cometimento do crime. “Vamos discutir os aspectos da pouca credibilidade do parecer particular pago pela defesa e família do réu”, observou, em alusão ao laudo apresentado pela defesa que aponta a inimputabilidade do bioquímico e necessidade de tratamento dele. “Isso aqui não é espetáculo. É um processo, é um julgamento...Vamos demonstrar a culpa do réu e sair daqui com a justiça e uma pena bem alta. Vamos trabalhar com técnica e profissionalismo”, destacou.
Sobre a ausência do bioquímico no julgamento, Eugênio Paes Amorim lamentou que a legislação possibilite esse direito ao réu. “Ele deveria ser obrigado a estar presente para se apresentar à sociedade, a mesma que ele feriu quando praticou o crime, e na frente dos familiares das vítimas, que fez sofrer”, considerou.
Familiares e amigos das vítimas compareceram no segundo dia de julgamento. “Minha expectativa é de que ele receba a pena máxima pois matou em um ato cruel, sem chance das vítimas se defenderem, e também para servir de exemplo para outras situações de violência contra as mulheres que são mortas diariamente”, avaliou a tia de Márcia, Maria Helena Calixto, 64 anos. “Ele é um réu confesso. Ele não é insano e foi provado por dois laudos do Instituto Psiquiátrico Forense”, complementou. “Ele foi covarde pelo crime que fez. Ele tinha que vir ao julgamento para ver os olhares da sociedade. O crime dele é indefensável”, enfatizou. “Não vamos recuperar a Márcia. O sofrimento será eterno”, concluiu.
O bioquímico Ênio Luiz Carnetti é acusado de esfaquear e matar sua mulher, a enfermeira Márcia Cambraia Calixto Carnetti, 39 anos, e o filho do casal, Matheus Calixto Canetti, de cinco anos de idade, em 25 de julho de 2012 no bairro Tristeza, na Capital.
No primeiro dia de julgamento foram ouvidas cinco testemunhas de acusação e quatro de defesa, além do perito. Já o segundo dia foi de debates entre acusação e defesa. Cenas do crime e até bilhetes deixados pelo bioquímico, inclusive confessando o crime, foram apresentados aos jurados.
Promotoria e familiares das vítimas criticam ausência do réu no julgamento
Acusado de matar a esposa e o filho, o bioquímico Ênio Luiz Carnetti preferiu não acompanhar a sessão