Dois réus foram condenados e um terceiro foi absolvido pela morte de Júlia de Mello, executada aos 17 anos, em fevereiro de 2021, no bairro Guajuviras, em Canoas. Eles também responderam por tentativa de homicídio de outra jovem, grávida na época dos fatos, amiga de Júlia. O júri ocorreu nessa terça-feira, na 1ª Vara Criminal do município.
O juiz Bruno Barcellos de Almeida leu a decisão por volta das 21h. Richard Campanel da Silva Staziacki e William Amarildo Antonio Gomes foram sentenciados, respectivamente, a 51 e 46 anos de reclusão. Eles já estavam no sistema penitenciário, por ordem de prisão preventiva.
Em nota, as advogadas Julia Monteiro, Giselle Dias e Karinne Bennech, que atuaram na defesa de William, manifestaram respeito à decisão do Conselho de Sentença, acrescentando que vão recorrer. “A defesa entende que a pena aplicada foi desproporcional às circunstâncias do caso, motivo pelo qual será interposto o recurso cabível”, diz o texto.
A advogada Natália Miranda, que defendeu Richard, não quis comentar a decisão. O espaço permanece aberto. Ele é ex-companheiro de Júlia. Em plenário, admitiu que integrava uma facção e que efetuou disparos, mas negou que o assassinato tenha sido premeditado.
"Chamei [a Júlia] para conversar, porque me disseram que ela tinha repassado informações minhas para [faccionados] rivais. Estranhei que aceitou o convite de forma rápida. Também estava preocupado pelo fato de o nosso encontro ter sido marcado em uma área onde há outra facção. Por isso, acabei me desesperando e tive essa atitude”, disse Richard.
A advogada Pâmela Aquino representou Juliano Linhares, que foi inocentado após passar quase quatro anos preso preventivamente. “A defesa lamenta profundamente o longo período em que Juliano permaneceu privado de liberdade, diante da fragilidade dos elementos que o vinculavam ao fato, e reafirma sua confiança na soberania do júri”, destacou, através de comunicado.
De acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Júlia e a amiga foram atraídas por meio de mensagens e ligações feitas por um dos réus, utilizando o celular de outro, sob o pretexto de uma suposta conversa.
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O promotor Eugênio Paes Amorim, à frente da acusação, disse que o ex-namorado de Júlia efetuou os disparos que causaram sua morte, motivado por ciúmes e pela recusa dela em retomar o relacionamento. Na sequência, conforme a denúncia, outro réu teria recebido a arma e atirado contra a amiga dela, mesmo sabendo que a adolescente estava grávida de seis meses. "O Tribunal do Júri demonstrou, mais uma vez, que é a instituição mais séria e eficiente do pais", destacou o promotor Eugênio Paes Amorim.
Leia a nota da defesa de William Amarildo Antonio Gomes:
As advogadas dativas que atuaram na defesa de William Amarildo Antonio Gomes — Dra. Julia Monteiro, Dra. Giselle Dias e Dra. Karinne Bennech — manifestam respeito à decisão soberana do Conselho de Sentença proferida no julgamento. Entretanto, a Defesa entende que a pena aplicada foi desproporcional às circunstâncias do caso, motivo pelo qual será interposto o recurso cabível.
Leia a nota de Pâmela Aquino, advogada de Juliano Linhares:
Na Sessão de Julgamento realizada em 11 de novembro de 2025, no Tribunal do Júri da Comarca de Canoas, o Conselho de Sentença absolveu Juliano Linhares das acusações que o mantiveram preso preventivamente por aproximadamente quatro anos.
A defesa lamenta profundamente o longo período em que Juliano permaneceu privado de liberdade, diante da fragilidade dos elementos que o vinculavam ao fato, e reafirma sua confiança na soberania do Júri.