Polícia

Vítima falava que colegas eram piores que detentos, diz MP no júri de réus por morte de policial penal em Porto Alegre

William Mansur Tadrous de Souza foi morto a tiros em 14 de junho de 2008

Ex-policiais penais vão a júri por morte do colega William Mansur Tadrous de Souza
Ex-policiais penais vão a júri por morte do colega William Mansur Tadrous de Souza Foto : Marcel Horowitz / Especial CP

Começou, nesta quarta-feira, o júri de três ex-policiais penais acusados de matar um colega em Porto Alegre. O crime ocorreu no dia 14 de junho de 2008, quando William Mansur Tadrous de Souza, de 39 anos, foi alvejado no bairro Cristo Redentor, na zona Norte. A previsão é que o julgamento se estenda por dois dias.

Todos os réus negam envolvimento na execução e respondem em liberdade. Eles têm 67, 63 e 49 anos. Os dois primeiros são representados pelos advogados Ricardo e Eduardo Jobim. A defensora pública Tatiana Boeira faz a defesa do último. Um quarto homem também foi denunciado, mas não houve pronúncia.

Os promotores Vinicius de Melo Lima e Eugênio Paes Amorim atuam na acusação. De acordo com o Ministério Público, a vítima morreu após descobrir o envolvimento dos colegas em roubos e práticas ilícitas dentro do sistema prisional. A tese do MPRS é que os acusados armaram uma emboscada para silenciar William Mansur e, assim, evitar que o esquema fosse denunciado.

Nesta manhã, foi ouvida uma superior hierárquica da vítima. Na ocasião, o promotor Vinicius de Melo a questionou: “William costumava dizer que os colegas eram piores que os detentos. A senhora confirma isso?”. A depoente confirmou a informação.

"Após o crime, a mãe dele me disse que ele de fato temia os colegas e que, de fato, dizia que eram piores que os presos. William era uma pessoa muito boa. Faço orações em sua memória todos os dias”, afirmou a mulher.

Relembre o crime

O agente penitenciário William Mansur Tadrous de Souza trabalhava no Instituto Penal Irmão Miguel Dario, destinado a apenados do regime semiaberto, na Capital. Ele também fazia bicos como segurança em uma empresa particular, sob a coordenação de um dos réus.

Em 14 de junho de 2008, William e outros dois colegas sofreram um assalto, mas apenas ele foi baleado. Segundo a denúncia, tudo não passou de uma emboscada dos acusados para silenciar o agente.

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