Política

Alvos da Lava Jato reforçam defesa de Aécio no Senado

Senador foi afastado das funções parlamentares pela Primeira Turma do STF

Alvos da Lava Jato reforçam defesa de Aécio no Senado
Alvos da Lava Jato reforçam defesa de Aécio no Senado Foto : Marcelo Camargo / Agência Brasil / CP Memória
Afastado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) das funções parlamentares, o senador Aécio Neves (MG) vem sofrendo pressão interna para abandonar em definitivo a direção do PSDB nacional ao mesmo tempo em que tenta reaver seu cargo e derrubar o recolhimento domiciliar noturno.

As duas maiores bancadas no Senado, PMDB e PSDB, no entanto, estão divididas sobre a situação do tucano. Nos dois partidos há os que defendem o enfrentamento com o Supremo e os que optam pela acomodação. A ala pró-enfrentamento reúne aliados históricos de Aécio, como o líder Paulo Bauer (SC) e Antonio Anastasia (MG), além de quatro dos parlamentares mais citados na Operação Lava Jato, a exemplo do ex-presidenciável, que é alvo de nove inquéritos no STF.

O líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), é investigado em 14 inquéritos; o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) é réu e investigado em 17 procedimentos; o ex-presidente da República Fernando Collor (PTC-AL), também réu, é alvo de 5 investigações. Outro aliado do tucano é o senador Jader Barbalho (PMDB-PA), contra quem correm quatro inquéritos.

Apontado como líder da ala peemedebista pró-Aécio, Renan argumenta que o grupo não age em defesa do tucano. Segundo ele, o Judiciário invadiu a competência do poder Legislativo. "Esse é um problema institucional, que tem a ver com a separação dos Poderes", diz Renan.

A defesa de Aécio pressionava para que o Senado tivesse analisado (e derrubado) as restrições na semana passada. Saiu derrotada, com o adiamento do caso, por 50 votos a 21. A bancada do PT, cuja Executiva Nacional chegou a defender o restabelecimento do mandato ao adversário político, deu um sinal negativo e votou pelo adiamento. Na avaliação de tucanos, Aécio corria risco de derrota sem os nove votos do PT, terceira maior bancada do Senado.

O líder da conciliação e interlocutor institucional com o Supremo foi o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE). Em acordo com a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, Eunício defendeu o adiamento para aguardar a análise no plenário da ação direta de inconstitucionalidade que definirá se o Legislativo deve ou não se pronunciar sobre a imposição de medidas cautelares contra parlamentares.

Eunício diz que não conversou com Aécio desde o afastamento do senador pelo Supremo, mas que manteve contato institucional com senadores do PSDB. "Eu vi matérias dizendo que o Palácio (do Planalto) me pressionou e ficou chateado comigo. Isso pouco me preocupa. Sou presidente do Parlamento e vou defender o Congresso como um todo. Não sou advogado do João, do Pedro, do Luís ou no Manoel. Se a decisão é desfavorável, foi a decisão do plenário, sinto muito", disse Eunício.

Na segunda maior bancada, a do PSDB, dois dos 11 senadores votaram em desfavor de Aécio: Eduardo Amorim (SE) e Ricardo Ferraço (ES). No PP, que tem sete senadores (a quarta bancada), dois dos cinco votantes foram em defesa do tucano, o líder Benedito Lira (AL) e o presidente do partido, Ciro Nogueira (PI). Ambos são alvo da Lava Jato.

Ninho 

O incômodo da bancada do PSDB com o caso Aécio é cada vez mais evidente. Uma avaliação corrente entre os tucanos é que o tema manchou a imagem do partido e seus integrantes. Aécio se licenciou da presidência do PSDB em maio, quando foi acusado de pedir propina ao grupo JBS. Há pressões para que deixe o cargo em definitivo tanto de deputados quanto de senadores. Ele, porém, tem apoio de ministros tucanos, como o chanceler Aloysio Nunes Ferreira, que considera a decisão do STF "absurda". Para Aloysio, destituir Aécio da presidência do partido "não tem cabimento".