Após vazamento de mensagens, chefe do MP gaúcho defende investigação
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Após vazamento de mensagens, chefe do MP gaúcho defende investigação

Dallazen diz, no entanto, que não percebe erros que invalidem os processos da Lava Jato. Já a OAB recomendou hoje o afastamento de Moro e Dallagnol

Por
Samantha Klein

Dallazen ressalta que o caso do vazamento de mensagens entre juiz federal e procuradores do MPF precisa avançar.

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O procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul, Fabiano Dallazen, reconduzido ao cargo na semana passada, se manifestou a respeito da série de reportagens publicadas ontem pelo site The Intercept. Em entrevista ao programa Guaíba News da Rádio Guaíba, nesta segunda-feira, o procurador disse que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) devem investigar o caso, mas que é necessário cautela no momento.

"Se confirmadas (as trocas de mensagens), de acordo com a análise preliminar, os relatos são suficientes para abrir investigação pelos órgãos competentes. A consequência processual, no entanto, vai depender do conhecimento completo do conteúdo. Tudo depende de em quais consequências as indicações (de Moro para Dallagnol) teriam acontecido", sustentou. Hoje, quatro procuradores entregaram um requerimento ao CNMP solicitando investigação da conduta de Dallagnol.

Dallazen disse, no entanto, que não surgiram até o momento erros que invalidem os processos da Operação Lava Jato. "O conteúdo divulgado não demonstra elementos suficientes para modificar processos ou condenações já aplicadas". O procurador-geral destacou que a análise pode ser modificada caso outros elementos ainda sejam divulgados.

Já a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), após reunião do Conselho Federal e o Colégio de Presidentes de Seccionais nessa segunda, foi mais contundente e recomendou o afastamento temporário de suas funções do ministro da Justiça, Sergio Moro, do coordenador da força-tarefa da Lava Jato, Deltan Dallagnol. 

Em nota, a instituição afirma que é necessário prudência em relação aos vazamentos, mas "não se pode desconsiderar, contudo, a gravidade dos fatos, o que demanda investigação plena, imparcial e isenta". O texto aprovado por unanimidade ainda ressalta que "este quadro recomenda que os envolvidos peçam afastamento dos cargos públicos que ocupam, especialmente para que as investigações corram sem qualquer suspeita".

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As reportagens publicadas ontem pelo site The Intercept indicam que o ex-juiz federal e hoje ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, teria orientado as investigações da operação Lava Jato em Curitiba por meio de mensagens trocadas pelo aplicativo Telegram com o procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa.

Nas conversas, ao longo de dois anos, Moro teria sugerido que o procurador trocasse a ordem de fases da Lava Jato, deu conselhos e pistas informais de investigação e antecipou uma decisão que ele ainda daria. As mensagens também indicam que Moro criticou e sugeriu recursos ao Ministério Público.

O Ministério Público Federal no Paraná informou, através de em nota, que houve vazamento de mensagens de procuradores após um ataque hacker. Segundo o órgão, as mensagens não mostram nenhuma ilegalidade. No entanto, o texto diz que os procuradores consideram o ataque “criminoso à Lava Jato” e que o caso põe em risco a segurança de seus integrantes.