Política

Betina Worm vê desafio em manter pragmatismo na gestão Melo

Vice-prefeita do PL assume o comando do Executivo da capital gaúcha nesta segunda-feira pela primeira vez

"Vemos que as pessoas querem soluções simplistas que não existem"
"Vemos que as pessoas querem soluções simplistas que não existem" Foto : Mauro Schaefer / CP Memória

Há pouco mais de um mês como vice-prefeita, seu primeiro cargo eletivo na administração pública, Betina Worm (PL) começa a se apropriar de seu espaço na prefeitura de Porto Alegre. Ainda que seu gabinete, no 10º andar do Centro Administrativo, tenha a aparência de um escritório neutro, sem deixar transparecer traços da personalidade da militar e médica veterinária, já começa a entrar no ritmo do governo Sebastião Melo (MDB).

Nesta segunda-feira, Betina irá assumir o comando do Executivo da capital gaúcha pela primeira vez. Melo viaja à Brasília para reunião da Frente Nacional dos Prefeitos, mas deve aproveitar o roteiro para tratar de temas caros aos porto-alegrenses. Enquanto isso, o Paço Municipal fica aos cuidados da nova vice.

“Eu fui amaciando meu olhar político. O pragmatismo que se gostaria de ter não se consegue com tanta facilidade, por conta das relações políticas, que muitas decisões acabam sendo influenciadas. As coisas têm que ser decididas com calma, tem que ter consenso em várias coisas menores para poder que o macro aconteça”, disse Betina, em entrevista ao Correio do Povo.

O horizonte do pragmatismo político já ficou distante da militar antes mesmo de ela oficialmente se tornar vice-prefeita de fato. Sua indicação para chefiar o Gabinete da Causa Animal teve que ser revista após atritos políticos. O nome de Lisandra Ferreira Dornelles foi anunciado para o cargo em 23 de dezembro do ano passado. No dia 30, o governo foi comunicado pelo PL que a nomeação seria revista.

“Minha indicação foi completamente técnica. Puxei a causa animal para mim e disse desde a campanha que daria um olhar mais técnico. Me surpreendi sobre como isso criou uma reação tão grande. Envolvia vários partidos e nunca se sabe de onde vem o ruído”, relatou.

“Às vezes, essas coisas de causa animal geram muita rusga. Coisas de partido, puxando coisas da causa para um determinado lado, ou determinado vereador. É complicado gerenciar o que é pertinente para atender as demandas da cidade como um todo quando se puxa a máquina para um lado para atender determinada demanda”, contestou.

Logo em seu primeiro mês, pôde observar de perto disputas entre oposição e base do governo no Legislativo. Mesmo que não tenha comparecido presencialmente às sessões que aprovaram, depois de batalhas na Justiça, os sete projetos de reforma administrativa de Melo, Betina participou das audiências públicas que debateram a extinção da Fasc e as alterações na estrutura do Dmae.

“Participei das audiências públicas e o pessoal não lê os projetos de lei, pelas coisas que falam. Reivindicam coisas que já estavam no projeto de lei. É difícil quando a oposição quer ser oposição só por ser do contra. Talvez seja um teatro”, reclama.

Outra questão sobre a qual Betina se mostrou incomodada foi em relação a expectativas criadas por promessas vazias: “A cidade tem pressa e as pessoas querem que as coisas sejam resolvidas. Na medida em que a gente está ‘do lado de cá do balcão’, a gente vê que as pessoas querem soluções simplistas que não existem”.

“Muitas vezes, políticos, vereadores e outras esferas, vendem ideias de coisas que não são possíveis. Enquanto estão em campanha, dizem (por exemplo): agora vou repassar todo o dinheiro para o Mercado Público para fazer limpeza e contratações. Não pode. Precisa fazer licitação. Não pode passar o dinheiro. Só que aí as pessoas compram aquela ideia e, quando as coisas não acontecem, é porque a prefeitura não deixou. É complicado lidar com essa expectativa das promessas e da realidade”, afirmou.

A vice disse manter uma boa relação com o prefeito e demonstra estar aprendendo com ele. “O Melo é um político diferenciado. Estou me apropriando da coisa administrativa e observando a coisa política de quais são as condutas que funcionam melhor. Tem o jeito certo, o jeito errado e o jeito de fazer acontecer, que orbita no meio dos dois”.

Apesar de novata na política, relata não ter mantido muito contato com seu padrinho, pelo menos durante o mês de janeiro. Foi o deputado federal Luciano Zucco (PL) quem convidou Betina para ingressar no partido de Jair Bolsonaro e concorrer como vice de Melo. “Quase não tenho falado com o Zucco. Minha demanda de prefeitura é tão grande que não dá tempo de pensar em conversas externas. E janeiro foi mês de recesso (parlamentar)”, conta.