Política

Bolsonaro define ação da PF como “suprema humilhação”

Ex-presidente se defendeu de acusações referente ao processo de golpe de Estado

Bolsonaro define ação da PF como “suprema humilhação”
Bolsonaro define ação da PF como “suprema humilhação” Foto : Evaristo Sa / AFP

O ex-presidente Jair Bolsonaro se manifestou nesta sexta-feira, em Brasília, sobre a operação da Polícia Federal. O político do PL falou com jornalistas logo após colocar uma tornozeleira eletrônica, atendendo a uma das medidas restritivas estipuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

"Isso é uma suprema humilhação. É quarta busca e apreensão que fizeram contra mim”, resumiu ao falar da ação de hoje.

Bolsonaro explicou que a operação envolve um novo inquérito, que gerou medidas cautelares. “Nada de concreto existe ali e o inquérito do golpe é político. Não tem prova de nada. É um golpe de festim. Além disso, eu nunca pensei em sair do País ou ir para uma embaixada. Aliás, sair do Brasil é a coisa mais fácil que tem”, argumentou ao analisar as medidas restritivas que incluem horários determinados para se deslocar.

Conforme a decisão do STF, a PF apontou que Bolsonaro, e o filho, Eduardo Bolsonaro, vêm atuando, ao longo dos últimos meses, junto a autoridades governamentais dos Estados Unidos, com o intuito de obter a imposição de sanções contra agentes públicos do Estado Brasileiro”, em razão de suposta perseguição no âmbito da AP 2668.

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Bolsonaro fez críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva e definiu a atual administração brasileira como “alienada”. “Eu me coloco à disposição do governo. Se houver interesse, eu busco uma audiência com o presidente Trump. Hoje o Lula não conversa com o Trump. É um governo alienado”, disse.

Para o ex-presidente, o Brasil pode sofrer por conta da suposta incapacidade do governo em negociar com os Estados Unidos. “A Índia e a China fizeram bons acordo com o Trump. Não se trata de pedir o fim das taxas, mas escutá-lo e negociar. O problema é que o Lula teima em ficar ao lado de ditadores. Além disso, ele fica alfinetando o governo americano”, comentou.

Bolsonaro negou que seja contra o PIX por conta da investigação dos Estados Unidos iniciada nesta semana. “Não sou contra este sistema de pagamento. Antes dele, você fazia transações via TED e DOC. Os banqueiros perderam em torno de R$ 20 bilhões. Mas isso não quer dizer que eu seja contra o PIX, até porque evita crimes como saidinhas de banco”, argumentou.

Questionado sobre a localização de pendrive no banheiro de sua residência, Bolsonaro afirmou que “não tem a menor ideia” do que se trata e justificou a apreensão de dinheiro no local. “Qualquer pessoa tem dólares em casa e tenho recibo para isso”, comentou.

Envolvimento do filho

Em função do envolvimento de Eduardo Bolsonaro neste novo inquérito, o ex-presidente afirmou que o filho não deve sair dos Estados Unidos para retornar ao Brasil. “Se vier para cá será preso”.

Conforme a PF, tanto Eduardo quanto Jair teriam atuado “dolosa e conscientemente de forma ilícita” e “com a finalidade de tentar submeter o funcionamento do STF ao crivo de outro Estado estrangeiro, por meio de atos hostis derivados de negociações espúrias e criminosas com patente obstrução à Justiça e clara finalidade de coagir essa Corte.”

Ao analisar o caso, o ministro Alexandre de Moraes disse que há indícios de que tanto Bolsonaro quanto o filho têm praticado “atos ilícitos que podem configurar, em tese, os crimes art. 344 do Código Penal (coação no curso do processo), art. 2º, §1º da Lei 12.850/13 (obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa) e art. 359-L do Código Penal (abolição violenta do Estado Democrático de Direito).”