O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes dedicaram parte do interrogatório na ação penal sobre tentativa de golpe para tratar de uma reunião que teria acontecido em 7 de dezembro de 2022 com os comandantes das Forças Armadas à época e o ex-assessor para assuntos internacionais da presidência da República, Filipe Martins.
Segundo o réu-colaborador e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, o ex-presidente teria lido e feito sugestões de alterações da chamada “minuta do golpe” para depois apresentá-la aos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.
Bolsonaro negou as acusações. Disse que se reuniu com o ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, e os então comandantes do Exército, general Freire Gomes, da Aeronáutica, brigadeiro Baptista Júnior, e da Marinha, almirante Almir Garnier Santos. Afirmou, contudo, que jamais cogitou agir “fora das quatro linhas” da Constituição Federal.
“Me encontrei várias vezes (com os comandantes das Forças Armadas), mas não para tratar de minuta. Sempre estive do lado da Constituição. Refuto qualquer possibilidade de falar minuta de golpe ou do que não estivesse enquadrado na Constituição. Não tive contato com essa minuta”, declarou o ex-presidente.
“Tratamos de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) por causa dos caminhoneiros e do pessoal na frente dos quartéis. Discutimos possibilidades outras dentro da Constituição. Ou seja, nunca saindo das quatro linhas. Em poucas reuniões, abandonamos qualquer possibilidade de ação constitucional”, depôs ainda.
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Bolsonaro também reclamou a Moraes não ter tido acesso a esse documento. O ministro rebateu que a peça consta nos autos do processo. O ex-presidente argumentou que apenas parte do texto contava nos autos. Mais para frente, negou mais uma vez ter sugerido alterações no documento: “Não procede o enxugamento”.