Política

Bolsonaro pede autorização para receber visita de ministro do TCU na Papudinha

Pedido foi encaminhado nesta quinta-feira, 22, ao ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal

Jorge Oliveira foi indicado ao cargo de ministro do TCU em 2020 por Bolsonaro
Jorge Oliveira foi indicado ao cargo de ministro do TCU em 2020 por Bolsonaro Foto : Arquivo/Marcos Corrêa/PR

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) autorização para uma visita do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jorge Antonio de Oliveira Francisco, ao ex-chefe do Executivo na Papudinha, em Brasília. O pedido foi encaminhado nesta quinta-feira, 22, ao ministro Alexandre de Moraes, relator da execução penal.

Jorge Oliveira foi o autor de uma tese, em 2024, que fez com que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não precisasse devolver um relógio Cartier avaliado em R$ 60 mil. Ao mesmo tempo, o entendimento dele pode beneficiar Bolsonaro no caso da venda ilegal de joias da Presidência.

Indicado por Bolsonaro em 2020, o ministro é um militar da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Ele se aproximou do ex-presidente por causa do pai. Falecido em 2018, Jorge Oliveira Francisco era capitão do Exército assim como o ex-presidente e trabalhou no gabinete dele na Câmara dos Deputados por duas décadas.

Seguindo os passos do pai, Jorge Oliveira foi para a Câmara em 2005, trabalhar como assessor jurídico de Bolsonaro, deixando o posto em 2007. Oito anos depois de deixar o gabinete do ex-presidente, ele prestou assessoria jurídica para o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), sendo lotado na equipe dele entre fevereiro de 2015 e dezembro de 2018.

Seis meses após deixar o gabinete de Eduardo, ele foi escolhido por Bolsonaro para ser o ministro da Secretaria-Geral da Presidência. Ele ficou no cargo entre junho de 2019 e dezembro de 2020, quando assumiu o TCU após indicação do ex-presidente.

Ministro livrou Lula de devolver relógio e pode beneficiar Bolsonaro

O voto do ministro do TCU determinou que Lula não precisaria devolver um relógio Cartier que ganhou de presente durante uma viagem à França em 2005. Oliveira abriu uma terceira vertente argumentando que o TCU não pode decidir quais itens podem ir para o acervo pessoal de ex-presidentes. O ministro disse ainda que o vácuo jurídico se dá pela inexistência de uma legislação que discorra sobre o tema.

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O argumento do ministro foi acompanhado por outros quatro magistrados, consolidando maioria no julgamento. Na prática, a decisão faz a Corte de Contas anular um entendimento de 2016 que determinou que peças de alto valor não eram itens personalíssimos e deveriam ser incorporados no patrimônio da União.

Foi este entendimento que obrigou Bolsonaro a devolver as joias que haviam sido omitidas da Presidência da República, após uma série de reportagens do Estadão revelar que assessores do ex-presidente tentaram entrar com peças preciosas no País sem declarar ao Fisco.

Dessa forma, a defesa de Bolsonaro passou a poder argumentar que a própria Corte de Contas, responsável por determinar, no ano passado, a devolução dos itens, teria alterado seu entendimento. Com isso, o ex-presidente sustenta que não há base legal clara para definir quais bens podem ser considerados personalíssimos e permanecer com presidentes que passarem pelo Palácio do Planalto.

Em 2024, Bolsonaro e outros 11 foram indiciados pela PF por participarem do esquema de venda ilegal das joias. Desde o término do inquérito, a defesa do ex-presidente tenta associar os presentes de Bolsonaro ao relógio Cartier de Lula.