O ex-presidente Jair Bolsonaro apareceu em frente à sua residência em Brasília na manhã desta quinta-feira (11), um dia após o ministro Luiz Fux votar pela sua absolvição no julgamento da tentativa de golpe de Estado. Bolsonaro sorriu e acenou para apoiadores, mas não fez comentários. Ao seu lado estava Eduardo Torres, irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que organizou uma vigília na noite anterior.
Esta é a segunda vez que o ex-presidente, que está em prisão domiciliar, se manifesta publicamente desde o início do julgamento. Sua defesa havia afirmado que ele manifestou interesse em comparecer ao STF, mas foi desaconselhado por questões de saúde.
Voto de Fux
Em um longo voto de 12 horas, Luiz Fux votou para condenar apenas o tenente-coronel Mauro Cid e o general Walter Braga Netto pelo crime de abolição violenta do Estado democrático de direito, absolvendo Bolsonaro e os outros réus.
O ministro argumentou que não há provas de que um plano de golpe tenha sido efetivamente colocado em prática, e que o que houve não passou de "vaga cogitação". Para Fux, "atos preparatórios" não podem ser punidos criminalmente, o que o levou a absolver os acusados. O advogado de Bolsonaro, Celso Vilardi, comemorou o voto, afirmando que Fux "acolheu na íntegra a tese da defesa".
O julgamento, que já tem os votos de Alexandre de Moraes e Flávio Dino pela condenação, aguarda agora a manifestação de Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. A expectativa é que o julgamento se encerre nesta sexta-feira (12).