Política

Braz defende mais protagonismo da Câmara de Porto Alegre

Aos 78 anos, ex-vereador traz na trajetória sete mandatos e dois períodos na presidência do legislativo da Capital

Ex-vereador Luiz Braz
Ex-vereador Luiz Braz Foto : Maria Eduarda Fortes / CP Memória

Poucos políticos trazem no currículo a experiência de ter vivenciado as atividades legislativas em Porto Alegre em momentos tão antagônicos. Eleito pela primeira vez como vereador em 1982, assumindo no ano seguinte, em um momento em que o país estava em uma transição política, e, na última para o mandato entre 2009 e 2012, quando o processo político já encontrava outros contornos, Luiz Braz guarda na memória momentos marcantes de legislar na capital do Estado. Hoje, aos 78 anos, divide as atenções entre o tratamento contra um câncer, que se manifestou nos últimos anos, e as movimentações políticas, que ainda fazem parte da sua vida.

Apesar de não ser mais vereador, Braz, que é advogado, jornalista e radialista, vivencia a rotina na Câmara e também faz as suas ponderações. Segundo ele, o número de integrantes, por exemplo, é muito elevado. “Não precisava ter tanta cadeira”, comenta. Atualmente, a Câmara tem 36 vagas. Na eleição deste ano, em função da redução da população de Porto Alegre, terá que reduzir uma. Porém, quando Braz entrou no legislativo a composição era de duas dezenas. Segundo ele, em tom de crítica, alguns políticos acabam encontrando espaço dentro da Câmara, mas sem ter efetivamente um plano de trabalho para a cidade. “Acredito que Porto Alegre estaria bem representada com 22 cadeiras, por exemplo”, avalia, defendendo inclusive o modelo de voto distrital. Para ele, isso permitiria qualificar a representação. Esses dois elementos juntos, quantidade e ausência de plano de trabalho, faz com que o trabalho do legislativo não seja tão produtivo e gere mais críticas da sociedade, destaca. “Muitas vezes essa situação prejudica o real debate, que deve ser melhorar a cidade”, enfatiza.

O próprio acirramento político, que tem ficado em maior evidência nos últimos anos, também é outro fator que desvia as discussões dos problemas da cidade. Neste ponto, inclusive, recorda como no início da sua trajetória política as divergências políticas não impediam o diálogo e a construção de projetos e propostas, especialmente aqueles polêmicos e complexos, como transporte público.

Presidente por duas vezes da Câmara (1994 e 1998), Braz inclusive recorda da boa relação com o ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro, do PT, de outro campo político. Braz começou a vida pública no MDB, nos anos 80, mas o vínculo foi forte com o PTB. Apesar de ter saído da sigla nos anos 2000, por divergências, migrando para o PSDB, ele retornou em 2012, e, mais recentemente, passou para o Podemos, seguindo o grupo político. Mesmo assim, não deixa de lado o apreço pelo trabalhismo.

*Com Rafael Renkovski