O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), afirmou ontem que já comunicou ao União Brasil a intenção de deixar o partido e que negocia filiação a outras siglas para a disputa pela Presidência da República. Segundo ele, a decisão foi informada à cúpula da legenda e passou a ser tratada como irreversível.
Em entrevista à rádio Nova Brasil, Caiado disse que comunicou a decisão ao presidente do partido, Antônio Rueda, e ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto.
"Já informei o presidente do partido, o Rueda, o ACM Neto, que é meu amigo, irmão, e já disse que entendo a dificuldade do partido. Só que, nessa situação, eu já estou buscando também uma alternativa para ter outro partido pelo qual me candidatar", afirmou.
De acordo com o governador, a discussão sobre uma eventual saída do União Brasil vem ocorrendo desde o fim do ano, mas chegou ao limite. "Essa é uma realidade que vem sendo discutida desde o período do Natal e do ano novo, e chegou o momento em que não se pode esperar mais."
Próximos dias
Sem revelar quais, Caiado afirmou que mantém conversas com outras legendas e sinalizou que a definição deve ocorrer em breve. "Irei até o fim. Estou em contato com outros partidos, e o entendimento é avançarmos para a campanha. Isso é algo a ser resolvido nos próximos dias."
A movimentação de Caiado ocorre em um cenário em que ele aparece atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em simulações eleitorais. Segundo pesquisa AtlasIntel divulgada em 21 de janeiro, o petista tem 49% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o governador de Goiás, que registra 39%. Outros 13% afirmaram não saber ou preferiram não responder. O instituto entrevistou 5.418 pessoas, virtualmente, entre 15 e 20 de janeiro. A margem de erro da pesquisa é de 1 ponto porcentual para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-02804/2026.
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Caiado defendeu a pulverização de candidaturas no campo da direita como estratégia para enfrentar o PT. Para ele, a concentração em um único nome favorece o governo. "Com o PT no poder, é um processo duro, que não tem limite e tenta ganhar a eleição a qualquer custo. Se houver apenas um candidato, ele terá dificuldade de chegar até outubro", disse.
Na avaliação do governador, não há garantias de que um nome apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tenha vantagem automática na disputa. Embora reconheça o prestígio político do ex-chefe do Executivo federal, Caiado afirmou que o apoio não se traduz integralmente em votos.
"Uma coisa é ele ser candidato, outra é indicar alguém. Não existe transferência total", disse, acrescentando que apoiaria o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno.