A Confederação Nacional da Indústria (CNI) se manifestou sobre as negociações entres os governos do Brasil e dos Estados Unidos em torno do tarifaço promovido pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
A entidade defende que o governo brasileiro se valha dos instrumentos de negociação com "prudência e persistência” para buscar reverter os efeitos nocivos das tarifas sobre as exportações . Na avaliação da entidade, não é o momento para a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.
Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, o momento exige cautela e discussões técnicas. “Precisamos de todas as formas buscar manter a firme e propositiva relação de mais de 200 anos entre Brasil e Estados Unidos”, afirma Alban. “Nosso propósito é abrir caminhos para contribuir com uma negociação que possa levar à reversão da taxa de 50% e/ou buscar obter mais rapidamente o aumento de exceções ao tarifaço sobre produtos brasileiros”, acrescenta o presidente da CNI.
Alban alerta que é importante observar que as economias brasileira e americana são complementares. Na corrente de comércio, os bens intermediários (insumos produtivos) representaram 58% do que foi comercializado entre os dois países na última década.
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Comitiva com mais de 100 líderes empresariais
Uma comitiva com mais de 100 líderes de associações e empresários da indústria, liderados pela entidade, desembarcará no começo da semana que vem em Washington, para uma série de compromissos com empresários e representantes do poder público dos EUA.
A agenda em Washington contempla encontros bilaterais entre instituições empresariais brasileiras e suas contrapartes e parceiros nos EUA, e reunião plenária para discutir os impactos comerciais e estratégias para aprofundar a parceria econômica entre os dois países.
A CNI também vai promover encontros estratégicos preparatórios para a defesa do setor industrial na audiência pública, marcada para o dia 3 de setembro, sobre a investigação aberta em julho pelo governo norte-americano nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos.
A entidade formalizou ainda uma manifestação em defesa do Brasil, argumentando que o país não adota práticas injustificáveis, discriminatórias ou restritivas ao comércio bilateral.