Com novo calado homologado, porto de Rio Grande amplia capacidade de atuação no RS

Com novo calado homologado, porto de Rio Grande amplia capacidade de atuação no RS

Principal terminal portuário passa a receber navios de maior porte e com maior capacidade de carga

Correio do Povo

Principal terminal portuário passa a receber navios de maior porte e com maior capacidade de carga

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Depois de dois anos de dragagem, o novo calado do porto de Rio Grande foi homologado pelo governador Eduardo Leite em cerimônia oficial nesta segunda-feira, na presença de autoridades regionais e federais. Agora, o principal porto gaúcho – situado na região Sul do RS – poderá receber navios de maior porte, até 366 metros de comprimento, e com maior capacidade do que os limites atuais. O investimento federal na ampliação foi de quase R$ 500 milhões. Para a criação do novo calado que passou de 12,8 para 15 metros foi necessário a remoção de 16 milhões de metros cúbicos de sedimentos do canal de acesso, que iniciou em 2018. A profundidade, que era de 14,2, agora passou para 16,5.

Além do governador, estiveram presentes no evento de homologação o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, o secretário Nacional de Portos e Transportes Aquaviários, Diogo Piloni, o comandante do 5º Distrito Naval, vice-almirante Henrique Baptista de Souza, e o secretário de Logística e Transportes do Estado, Juvir Costella.

"O calado do Porto maior, aeroportos e outras iniciativas promovidas pelo governo federal, Ministério da infraestrutura e Estado conjuntamente estão puxando na mesma direção. Nós temos uma distribuição de competências, que se nós não puxarmos na mesma direção ,as forças se anulam. A diretriz do nosso governo para ganho de competitividade é a melhor logística", ressaltou Eduardo Leite. Durante o discurso, o governador ainda anunciou os próximos avanços na estrutura hidroportuária. 

“Já estamos trabalhando para evitar que aconteça o assoreamento do canal, regredindo na capacidade de cargas, para então gastar centenas de milhões de reais para recuperar o calado. Estamos montando um termo de referência para que, no primeiro semestre do ano que vem, possamos começar a fazer um investimento de R$ 30 a R$ 40 milhões anuais em dragagem no porto, garantindo permanentemente as cargas dos navios que chegam e saem do nosso RS”, afirmou o governador.

O ministro de Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, destacou que a responsabilidade do governo federal é deixar um legado de que parcerias entre esferas políticas, independente de partidos, são eficazes. Segundo ele, o "equilíbrio da matriz de transportes" é uma das bandeiras do governo de Jair Bolsonaro. "Outras transformações virão como a desestatização dos portos que vai acontecer ano que vem", sinalizou. Outro ponto também citado pelo ministro e reforçado pelas demais autoridades presentes é a duplicação da BR 116, que deverá beneficiar o acesso rodoviário aos terminais portuários da malha Sul. "Vamos dotando o Estado de infraestrutura, fazendo florescer todo esse potencial que tem", pontuou.

Ministro da Infraestrutura assinou termo de homologação | Credito: Felipe Dalla Valle / Palácio Piratini / CP

Na cerimônia, o superintendente dos Portos RS, Fernando Estima apresentou um balanço dos principais avanços na logística hidroviária no Estado nos últimos dois anos e algumas das recentes novidades do setor portuário gaúcho. Na apresentação, foram exibidos depoimentos de representantes de projetos de terminais exclusivos de cargas, como arroz e soja. Hoje, a rede portuária do Estado conta com 17 terminais privados, três portos públicos e cinco terminais arrendados do porto de Rio Grande.

Fernando Estima também ressaltou o esforço do Estado na exploração de áreas em Porto Alegre e Pelotas para leilão em 2021. "Vamos preparar para que essas áreas possam estar no mercado. Áreas que ainda temos e precisam ser mais exploradas. Em Porto Alegre vai sobrar uma área riquíssima abaixo da segunda maior ponte do Brasil no centro da Capital e que nós temos que encontrar empresas e mercados interessados", afirmou citando a nova ponte do Guaíba, que deve ser inaugurada em novembro deste ano.

Outra área que deverá ser explorada é o porto antigo de Porto Alegre, que teve sua área poligonal retirada pelo governo federal. A proposta, conforme Eduardo Leite, é usar o espaço que apresenta "grande oportunidade" para fomentar a "nova economia", com tecnologia e inovação. 

O governo do Estado ainda anunciou que está em andamento a transformação da Superintendência dos Portos do Rio Grande do Sul de autarquia em uma empresa pública – a Portos RS, o que dará mais segurança jurídica e econômico-financeira aos empresários, mais eficiência aos investimentos e um planejamento de longo prazo, que não seja interrompido com a troca de gestores. Atualmente, passam pelos terminais privados que operam contêineres, graneis agrícolas, fertilizantes, cargas petrolíferas e petroquímicas no porto do Rio Grande mais de 25% do PIB do RS, o equivalente a mais de 40 milhões de toneladas por ano, sendo que a capacidade instalada é de 50 milhões.

A abertura do webinar foi feita pelo secretário estadual de Logística e Transportes, Juvir Costella, que destacou que o porto de Rio Grande registrou no mês de junho deste ano recorde histórico para este mês no transporte de carga com 4 milhões de toneladas. Atualmente, o complexo portuário tem capacidade de transporte acima de 50 milhões de toneladas. Com o novo calado, Costella aposta na maior competitividade no mercado internacional. 

Após o evento, as autoridades irão se reunir para um almoço-trabalho. Nele, serão discutida a PL da autarquia à empresa pública. O ministro Tarcísio Gomes de Freitas deve ainda visitar as obras da nova ponte do Guaíba na tarde de hoje. Pela manhã, ele esteve fiscalizando a ampliação da pista do aeroporto de Porto Alegre. 

Histórico do novo calado

O contrato original da dragagem foi assinado em julho de 2015 pela União e, a partir daí, mobilizou o governo do Estado, a então Secretaria dos Transportes e a antiga Superintendência do Porto do Rio Grande (SUPRG) para a obtenção da licença do Ibama. Um grupo de trabalho foi criado para atender os critérios técnicos e ambientais. O apoio da Marinha do Brasil foi fundamental ao longo do processo.

O consórcio vencedor da disputa para realizar o serviço foi formado pelas empresas Jan de Nul do Brasil e Dragabrás, que fecharam na época o acordo por R$ 368,6 milhões. Durante o processo, houve judicialização, e o período de obra parada gerou um aumento significativo no custo da obra. Ao final, com todos os aditivos realizados, totalizou R$ 500 milhões de recursos do governo federal.


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