Política

Comissão de Ética adia votação para cassar vereador da Câmara de Porto Alegre

Integrantes pediram vistas para analisar o parecer de Karen Santos (PSol), que indica quebra de decoro parlamentar por parte de Gilvani o Gringo (Republicanos)

Relatório que pede a cassação de Gringo será votado na próxima quarta-feira
Relatório que pede a cassação de Gringo será votado na próxima quarta-feira Foto : Fernando Antunes/CMPA/CP

A Câmara de Porto Alegre adiou a votação para cassar o vereador Gilvani o Gringo (Republicanos). Nesta sexta-feira, em reunião extraordinária da Comissão de Ética, Mariana Lescano (PP) pediu vistas em busca de mais tempo para estudar o caso. A solicitação foi acompanhada por Rafael Fleck (MDB), resultando nas chamadas “vistas coletivas”. Desse modo, a deliberação do parecer de Karen Santos (PSol) – que é favorável à sanção – foi postergada. O grupo vai avaliar o documento na próxima quarta-feira. Não há mais recursos disponíveis para protelar a definição.

Entenda o caso

O requerimento aponta para “quebra de decoro parlamentar”. A acusação se baseia nas declarações do próprio vereador na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Dmae no dia 29 de setembro de 2025. Convocado como testemunha, o aliado admitiu publicamente ter pago propina à autarquia no passado, além de supostamente manter vínculo com uma empresa que presta serviços ao poder público, o que viola a Lei Orgânica do município. No dia 3 de dezembro, o representante do Simers ainda enviou novas provas para corroborar com a denúncia.

E essa não é a primeira acusação. No começo do ano, o sindicato entrou com outra representação na comissão de Ética por suposto abuso de poder praticado pelo parlamentar. A manifestação se refere ao episódio em que Gringo foi à UPA Moacir Scliar, na zona Norte de Porto Alegre, para “verificar se os profissionais estavam trabalhando”. De acordo com o ofício, a atitude teve como único intuito “angariar capital político”. No final, o processo resultou em advertência.

Próximos passos

Se o parecer for recusado, o processo será distribuído para um novo relator dentro da comissão de Ética. Caso seja aprovado, ele será votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e depois no plenário da Casa, onde precisa do apoio de 24 dos 35 vereadores. Nos bastidores, entende-se que há vontade política para a cassação. Se consumada, a cadeira ficará com o primeiro suplente (e atual secretário de Esporte e Lazer de Porto Alegre) Professor Tovi (Republicanos).

*Supervisão Mauren Xavier