Política

CPI da Petrobras vai pedir à Justiça acesso ao depoimento de ex-diretor

Parlamentares tentaram interrogar Paulo Roberto Costa nesta quarta, mas ele fez uso do direito de não falar

Paulo Roberto Costa fez uso do direito de não falar em depoimento na CPMI
Paulo Roberto Costa fez uso do direito de não falar em depoimento na CPMI Foto : Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / CP
O ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavaski recebe na próxima semana os integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras. Eles querem a liberação do depoimento do ex-diretor da empresa, Paulo Roberto Costa, à Justiça, em acordo de delação premiada.

O presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), anunciou nesta quarta-feira que conversou com o presidente do Supremo, ministro Ricardo Lewandowski, e agendou a reunião para a próxima terça-feira. Teori Zavaski foi o ministro indicado para acompanhar as investigações sobre irregularidades na Petrobras, uma vez que as denúncias envolvem parlamentares, que têm foro previlegiado.

O acesso à transcrição do depoimento de Paulo Roberto Costa ao Ministério Público é a principal aposta dos membros da CPMI para que o Congresso continue investigando irregularidades na Petrobras. Hoje, eles tentaram interrogar o ex-diretor, mas Costa fez uso do direito de permanecer calado e não respondeu a nenhuma pergunta dos parlamentares.

“A delação é a única forma de continuarmos com as investigações dentro do Congresso Nacional. Sem o compartilhamento das informações com o Ministério Público e com o Supremo Tribunal Federal, a CPMI está morta”, afirmou o líder do Solidariedade, deputado Fernando Francischini (PR).

Para o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), a CPMI tem direito de investigar e, dessa forma, ter acesso ao depoimento da delação premiada. “Se ele se recusa a falar, vamos procurar o que temos direito, que é o compartilhamento dos dados. A prioridade é da CPMI. Vamos buscar a fonte da informação, usar uma prerrogativa do Congresso Nacional. A população tem de entender que estamos fazendo o que é possível fazer”, salientou o senador.

Teori Zavaski já comunicou à CPMI que ainda não está de posse dos documentos da delação premiada. Para Agripino Maia, o encontro de amanhã servirá para que os parlamentares cobrem agilidade no repasse desses documentos.

Líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE) acredita que a ida ao Supremo será “inócua”. Argumentou que o acordo foi feito no âmbito das investigações e que o ministro Zavaski não terá como compartilhar a transcrição, porque ainda não teve acesso a ela.

“Entendo que nossa ida ao STF agora é inócua. Se há um acordo de delação premiada, é feito entre o depoente e o Ministério Público ou a Polícia Federal. Ele só irá para o Supremo após a conclusão das investigações. É preciso que isso seja dito para não haver frustrações”, disse Humberto Costa.

A audiência com Paulo Roberto Costa na CPMI começou às 14h30. Embora ele tenha dito que não irá responder a qualquer questionamento, os parlamentares continuam fazendo perguntas. A todas, o ex-diretor responde que não tem nada a declarar.

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