Política

Debate sobre concessão do bloco 2 assume tom eleitoral em evento da Federasul

Deputados de oposição a atual gestão se reuniram em evento da Federasul nesta sexta-feira

Na ocasião, parlamentares criticaram o projeto pretendido e a condução do governador
Na ocasião, parlamentares criticaram o projeto pretendido e a condução do governador Foto : Sérgio Gonzalez / CP

Entre uma proposta e outra – para barrar a concessão do bloco 2 de rodovias – o debate entre os deputados, em evento na Federasul sobre o assunto, nesta sexta-feira, assumiu o tom eleitoral.

Dos sete parlamentares presentes, sendo seis deputados estaduais e um federal, inúmeros foram os momentos em que as falas fugiram do tema e se tornaram críticas a gestão de Eduardo Leite (PSDB). O deputado Paparico Bacchi (PL) chegou a elencar alguns dos que seriam os erros do governo: "queriam dar R$ 500 milhões de presente para rodovias federais, queria comprar avião com dinheiro da reconstrução, queria dar dinheiro para escola de samba", rechaçou.

Enquanto isso, seu ex-colega de bancada, Rodrigo Lorenzoni (PP), acusou Leite de utilizar do fundo de reconstrução para “as demandas do governador”.

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Após apresentar os dados que justificariam o porquê este não é modelo nem momento de se fazer uma concessão, como as altas taxas de juros do momento, o deputado Cláudio Branchieiri (Podemos) abriu campanha para o deputado federal, Luciano Zucco (PL), pré-candidato ao Piratini, afirmando que depois a concessão poderia ser feita "pelo futuro governador que está sentado na cabeceira desta mesa", disse, em referência ao local que o deputado federal estava sentado.

Zucco, por sua vez, acusou a gestão atual de ser "individualizada" com "orientação pessoal". “E não faltou recursos, recebeu dinheiro do governo (Jair Bolsonaro) na pandemia, vendeu a CEEE e a Corsan, recebeu dinheiro do governo federal nas enchentes. E o resultado da entrega da gestão é essa apresentada”, disse, em tom pejorativo. Ele usou e abusou dos elogios ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que recentemente declarou apoio à sua candidatura.

Outro ponto de críticas veio do deputado Capitão Martim (Republicanos), que acusou o governo de ferir os princípios da administração pública e pecar com a responsabilidade fiscal. “Não é uma questão política, é questão de barrar devaneios”, disse Martim.

Deputados apresentam alternativas

Apesar disso, os parlamentares também apresentaram sugestões de ação. Halley (PT) defendeu como medida emergencial a aprovação do PL 87/2025, de autoria da bancada petista, que tem como objetivo devolver ao Parlamento a prerrogativa avalizar as concessões propostas pelo Executo, inclusive aquelas que estão em curso. Martim, que apresentou uma proposta com teor semelhante, afirmou que irá unir os projetos.

“Esse projeto pode ser a solução emergencial em um debate que estamos atrasados", afirmou Halley, convocando os presentes a comparecem na audiência pública promovida pela Comissão de Serviços da Assembleia, 10 de julho.

Já Rodrigo Lorenzoni propôs que o governo do Estado opere as obras por meio dos valores do Funrigs. “Por que não abre espaço para discutirmos esses R$ 1,5 bi? Para colocarmos na EGR, em caráter extraordinário, e fazermos as obras que são de caráter emergencial. E ano que vem faz a concessão”, sugeriu.