Segundo o advogado, após assumir a presidência do Banco Rural, Kátia teve apenas uma conversa com Marcos Valério sobre a renovação do empréstimo. “A partir daí, não cuidou mais disso. As renovações eram sempre trimestrais, como uma forma de pressionar Valério a liquidar seus débitos.”
Para o Ministério Público Federal (MPF), esses empréstimos eram fictícios. No entanto, Dias nega essa acusação e diz que há um laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Federal que comprovou a veracidade das operações de crédito. “O que me impressiona é que o MPF desconsiderou um laudo como esse. Foram três empréstimos, um de R$ 19 milhões à SMP&B, um de R$ 10 milhões à Graffiti e outro de R$ 3 milhões ao PT.”
O Banco Rural foi vítima da sua própria transparência, segundo Dias. O advogado afimrou que as únicas provas de que parlamentares participaram do mensalão são os documentos do Banco Rural. “Foi a partir dos registros (do banco) que puderam identificar os pagamentos feitos pela SMP&B. Além do cheque sacado e autenticado, havia também cópias de carteiras de identidade. Tudo estava contabilizado no sistema do banco”, disse Dias.
A defesa de Kátia também negou que ela tivesse conhecimento dos saques feitos por funcionários da SMP&B em agências do Banco Rural. Para o MPF, esses saques caracterizariam o crime de lavagem de dinheiro. “O destino desses recursos após os saques não é de responsabilidade e nem de conhecimento do banco. Kátia Rabello sequer tinha conhecimento dos saques.”