O segundo turno da eleição em Porto Alegre começou com os candidatos partindo para uma disputa mais dura na busca por votos. Em entrevista ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, na tarde desta segunda-feira, Nelson Marchezan Júnior fez críticas a atual gestão da prefeitura. Em determinado momento, ele afirmou que a situação financeira da cidade é pior do que tem sido mostrado.
“Porto Alegre está ruim. Porto Alegre é uma cidade que todos amamos, mas esse amor não pode ser cego. A situação é ruim na segurança pública. Não é normal ir para a fila pegar ficha 5h da manhã e não conseguir. Não é normal pegar ficha, isso é jurássico. As dificuldades financeiras serão gigantescas. Acho que a atual gestão está escondendo a real situação. Acho que daqui a alguns dias vai atrasar a folha dos servidores municipais e não avisá-los disso é uma falta de consideração até com os servidores”, afirmou.
Embora o PSDB tenha participado da gestão José Fortunati até o final do ano passado, Marchezan afirmou que o partido apoiou candidaturas distintas nas últimas eleições municipais e afirmou que a prefeitura não pode trocar cargos em secretarias por apoios eleitorais.
“O PSDB não participou da campanha do (José) Fogaça, da primeira nem da segunda. Na eleição do Fortunati, o PSDB também não apoiou. Parte do partido integrou, principalmente aquela que foi expulsa por roubar 'pixuleco'. Consigo me distinguir dessa questão de carguismo. Em segundo, o PP está. Ele foi decisivo na eleição do Fortunati. Se tem alguém incompetente que não serve à prefeitura, deveria ter sido retirado. Exigir que um partido apoie uma candidatura porque tem cargos, é poder, é cabresto, é antigo. O PP decidiu que não acha o Melo o melhor para Porto Alegre e teve a estatura para tomar essa decisão. Era mais cômodo apoiar o Melo. Se tem alguém com problemas na gestão, que o Melo aponte e mande retirar. O Fortunati teve até agora uma postura republicana, que o diferencia do vice”, seguiu Marchezan, que afirmou que não fez ataques pessoais a Melo durante o primeiro turno.
“Em nenhum momento no primeiro turno a gente citou nomes. Sempre trouxemos estatísticas do Ministério da Educação, da Saúde e da Justiça, de organizações nacionais e internacionais, que qualificam Porto Alegre como uma das cidades mais violentas do mundo. Nunca atacamos pessoas ou partidos. O oponente disse que eu falei mentiras. Quero que ele diga quais mentiras foram ditas se os dados usados foram todos oficiais”, declarou.
Sobre o segundo turno, Marchezan afirmou que sua aposta será na transparência. “Nós vamos manter a mesma estratégia do primeiro turno, de uma campanha transparente, propositiva e simples. Não vamos dizer que está tudo ruim, porque assim você não encontra soluções. Também vamos procurar resolver aquilo que é preciso, acreditamos que teremos força para isso. Vamos procurar fazer de forma simples, transparente e objetiva”, finalizou.
Atual gestão esconde real situação da prefeitura, diz Marchezan
Candidato do PSDB indicou que atual administração pode atrasar salários dos servidores<br />
