Eleições

Derrota de Flávio Bolsonaro impõe ajuste nos planos de Zucco para o RS

Governador eleito aguarda entrega do Livro de Transição para retomar articulações

Zucco precisará rever estratégias econômicas
Zucco precisará rever estratégias econômicas Foto : Fabiano do Amaral

Desde o primeiro turno, em 4 de outubro, o governador eleito Luciano Zucco (PL) fez manifestações contidas sobre o processo de transição. Zucco reforçava que o foco imediato era na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para presidência, que acabou saindo derrotado para Luiz Inácio Lula da Silva, além de aguardar o Livro de Transição que estava sendo elaborado pelo governador Eduardo Leite (PSD).

A entrega do documento estava prevista inicialmente para esta segunda-feira (26), logo após o segundo turno, mas acabou sendo reagendada para a quarta-feira (28) a pedido do governo do estado.

O governador eleito está aguardando a entrega do material para começar os movimentos de articulação com aliados que inclui Novo, PP, Republicanos, Podemos e União Brasil. Também devem iniciar as articulações com outros partidos para melhorar a governabilidade, como MDB e PSD. A nova bancada eleita do PSD já demonstrou estar aberta a dialogar com o novo governante do RS.

Zucco acompanhou a apuração em Brasília, junto de Flávio e outros governadores aliados. Após a divulgação retornando para o Rio Grande do Sul, sem ter agendas públicas nesta segunda (26).

Planos alterados

Aliado do governador eleito e presente nas articulações de transição, o deputado estadual Cláudio Branchieri (Republicanos) lamentou o resultado do pleito. “Nos chocou, já que todos indícios, pesquisas davam a vitória para o Flávio. Tínhamos um projeto diferente de governo daquele que as urnas decidiram”, indicou.

Cotado para assumir a Fazenda ou Planejamento do Estado, o deputado reforçou que havia uma grande expectativa na eleição de Flávio, que seria um facilitador pela afinidade nas estratégias econômicas e também por já ter um debate avançado em diversos pontos.

Na leitura do parlamentar, que é economista de formação, existem três questões centrais para melhorar a condição de investimento do RS a serem negociadas e que, supostamente, teriam uma facilidade maior caso Flávio tivesse sido eleito.

O primeiro ponto é a renovação do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). O compromisso firmado durante a gestão Leite com a União indica que a execução financeira e aplicação das verbas precisa ocorrer até outubro de 2027. Neste mês, o governo do RS encaminhou solicitou para a Casa Civil da Presidência da República a prorrogação do prazo para dezembro de 2028, o que ainda não teve resposta. A segunda questão são os ajustes nas condições do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).

No entanto, o deputado comenta que o ponto que deve ter a articulação mais complicada é a criação do Fundo Constitucional da Região Sul. “Acho pouco provável neste momento. Não vai ter espaço fiscal para isso”, pontuou.

Zucco, Jorginho Mello (PL-RS) e Sérgio Moro (PL-PR) tiveram este projeto de Emenda à Constituição (PEC) como bandeira de campanha. A PEC 231/2019, que aumenta em um ponto percentual os recursos repassados pela União ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM), tramita no Congresso Nacional, ainda sem ter sido debatida em plenário.

Branchieri indicou que há movimentos de busca por apoio de outros estados para facilitar o andamento desta demanda no congresso, focando nos estados do Centro-Oeste (Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul), mas que será uma negociação complexa.

Reconhecimento do resultado

A única manifestação pública de Zucco desde o resultado da eleição foi através de um comunicado para a imprensa. No posicionamento, o governador eleito comenta que a eleição passou por “interferências abusivas, dados contraditórios e questionamentos” que devem ser esclarecidos. Também indicou que está preparado para governar o estado independente do presidente eleito.

Apesar desse ponto, o deputado estadual Miguel Rossetto (PT), em nota, argumentou que Zucco não teria reconhecido a reeleição de Lula e também estaria colocando em dúvida o resultado. Questionada, a equipe de comunicação do governador eleito que por hora não vai se manifestar sobre os comentários de Rossetto.

Mesmo sem a saudação tradicional esperada por Zucco, o PL Nacional reconheceu a vitória de Lula no final da noite de segunda-feira (26).

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