Disputa pela prefeitura racha PSB de Porto Alegre

Disputa pela prefeitura racha PSB de Porto Alegre

Conflitos sobre apoio a Manuela D'Ávila ou Sebastião Melo devem gerar intervenção da executiva nacional

Flavia Bemfica

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É tensa a situação nos bastidores do PSB de Porto Alegre, que não consegue chegar a um acordo sobre se apoia Manuela D’Ávila (PCdoB) ou Sebastião Melo (MDB) na disputa pela prefeitura da Capital. O partido já reuniu a executiva duas vezes, na terça-feira e na quarta-feira à noite, para deliberar. O objetivo das principais lideranças era formalizar o apoio à Manuela. Mas, em ambas as reuniões, partidários de Melo levaram vantagem. Na primeira, venceram por 15 votos a seis. Na segunda, por 13 a seis. A posição confronta a executiva nacional do partido, a liderança máxima do PSB gaúcho, Beto Albuquerque, que tem assento na nacional, e o presidente do diretório municipal, Elisandro de Oliveira, todos defensores do nome de Manuela.

A candidata havia conversado com Beto ainda na noite de domingo. Na segunda-feira pela manhã, também com Elisandro. Em função das afinidades programáticas e de todo o cenário no país, onde siglas à esquerda se aproximam e tentam formar frentes vigorosas em capitais como São Paulo e Porto Alegre, os resultados das votações da executiva em Porto Alegre deixaram lideranças partidárias perplexas. A tensão aumentou após a segunda votação.

Presentes relatam que, em um momento de ânimos bastante acirrados, o presidente da municipal chegou a sair do encontro. Porque o resultado se deu depois de, na manhã de quarta, o presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira, ter entrado em campo. Ele enviou mensagem clara ao diretório gaúcho informando que, caso o resultado da terça à noite não se revertesse na quarta, seria obrigado a convocar a executiva nacional “a quem cabe decidir as alianças nas capitais.”

Antes de comunicar o que a nacional fará, Siqueira informou que está sendo programada para os próximos dias a presença do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL/SP) na campanha de Melo em Porto Alegre, e destacou que não é possível aceitar uma decisão que coloca o partido em uma coalizão bolsonarista.

Enquanto isso, em Porto Alegre, os socialistas que desejam apoiar Melo lançam mão de três argumentos que resumem como ‘locais’, e que, no seu entendimento, independem de articulações nacionais. Eles assinalam que, particularmente, se identificam mais com o emedebista. Destacam a repulsa que têm ao PT, partido do vice na chapa de Manuela. E lembram divergências internas: parte se coloca como contra a influência que Beto exerce dentro do partido na Capital, considerando-a excessiva. Partidários de Manuela rebatem que falta entendimento do que é democracia quando preferências particulares se sobrepõem a questões programáticas e partidárias. Um desfecho é aguardado para as próximas horas.


Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895