Eleições 2024: Homens brancos marcam o perfil da Câmara de Porto Alegre

Eleições 2024: Homens brancos marcam o perfil da Câmara de Porto Alegre

Retrato tem como base os eleitos nos últimos 20 anos; porém, mudanças têm ocorrido, como maior presença feminina e de negros

Rafael Renkovski

Levantamento traça perfil da Câmara Municipal de Porto Alegre

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Homens, brancos, na casa dos 50 anos, casados e com formação superior. Esse é o retrato médio da composição da Câmara de Porto Alegre, levando em consideração os últimos 20 anos, segundo mostra o levantamento realizado pelo Correio do Povo, com base em dados disponíveis no DivulgaCand.

Esse é o perfil que representa os interesses da população, apresenta e discute leis referentes à esfera municipal, além de fiscalizar as ações do poder Executivo. A cada quatro anos, assim como em 2024, os porto-alegrenses vão às urnas para eleger os seus vereadores. Uma diferença estará presente desta vez na comparação com as eleições passadas. Devido à diminuição populacional da cidade, divulgada no último Censo do IBGE, a Câmara de Porto Alegre perderá uma cadeira, passando de 36 integrantes para 35.

82,7% são de homens

Entre os 180 parlamentares eleitos nas últimas cinco legislaturas, 82,7% são homens. Apesar da tendência de aumento da participação feminina nas últimas eleições municipais, quando 30,5% das cadeiras foram ocupadas por mulheres, 11 no total, o contraste ainda é marcante. Em 2004, foram sete mulheres eleitas, o maior percentual fora em 2020. Os anos de 2008 e 2016 tiveram quatro e, em 2012, cinco.

Vereadora há quatro mandatos, Mônica Leal (PP) comanda a Procuradoria Especial da Mulher na Câmara de Porto Alegre. Para ela, “a busca pela igualdade, desde a conquista do voto feminino, vem sendo intensificada nas últimas décadas, mas os números levam a refletir e constatar que a presença feminina em cargos eletivos ainda é muito acanhada.”

Mônica argumenta que “é comum que, quando uma mulher se manifesta em um pronunciamento mais exaltado e firme, alguém diga que ela está nervosa ou alterada”. “Se um homem se manifesta da mesma forma, ninguém diz que ele está nervoso, dizem que ele foi contundente. Difícil entender, não?”, questiona a vereadora.

Nos últimos 20 anos, apenas 6,6% dos vereadores eleitos foram de pretos ou pardos. Deste percentual, a metade atingiu os votos necessários no último pleito. Uma das representantes da bancada negra eleita em 2020, a vereadora Karen Santos (PSol) foi a mais votada entre todos os parlamentares, alcançando 15.702 votos.

Karen diz que “a luta do movimento social negro, principalmente das mulheres negras nos últimos anos, vem permitido esse tensionamento da ocupação dos espaços de poder, da representatividade dentro das instituições e a necessidade de ter políticas públicas para tentar minimamente equiparar essas desigualdades que são objetivas”. “Tem a ver com o lugar que moramos, tem a ver com a dificuldade de a gente se localizar dentro dos partidos políticos e com o racismo institucional que também está presente dentro dessas organizações.”

“A luta pelo fundo eleitoral, pelas cotas para mulheres e para pessoas negras, é um instrumento que pode vir a mudar (esse perfil) a médio prazo”.

Karen Santos, vereadora de Porto Alegre

Para a vereadora, “a luta pelo fundo eleitoral, pelas cotas para mulheres e para pessoas negras, é um instrumento que pode vir a mudar (esse perfil) a médio prazo”. Ela salienta que a configuração política hoje é formada majoritariamente “de homens brancos, herdeiros de algumas famílias que compõem por muitas décadas esses espaços.”

Casados e com curso superior predominam

Os dados mostram que a população prefere os vereadores casados. Dos 180 parlamentares, 114 tinham essa condição quando eleitos. Os separados judicialmente são 47, divorciados 17 e viúvos apenas dois.

A média etária de todos os parlamentares eleitos é de 50,36 anos. Na faixa de 20 a 30 anos, foram dez eleitos, sendo que dois vereadores - Maurício Dziedricki (atualmente no Podemos) e Fernanda Melchionna (PSol) - repetem duas eleições cada. A mais nova segue sendo Manuela d’Ávila (PCdoB), eleita em 2004 aos 23 anos.

Dos 31 aos 40 anos, são 33 vereadores que se elegeram, número que aumenta para 44 na faixa até 50 e para 51 até os 60 anos. Acima dos 60 anos, são 42 vereadores eleitos, com destaque para João Antônio Dib, eleito aos 80 anos em 2008 pelo PP. Ele faleceu em 2023.

Cerca de 78% dos vereadores eleitos têm ensino superior completo. A profissão escolhida no momento de registrar as suas candidaturas, no entanto, costuma ser a de político profissional para 46% do total. Não cursaram nenhuma faculdade 15% dos vereadores e, destes, 35% não terminaram o ensino médio. Após os políticos profissionais, os preferidos dos eleitores são os advogados, que representam 14,4%. Na sequência, 6% são servidores públicos de todas as esferas, 4,4% são professores ou pedagogos e 2,7% são jornalistas.

*Supervisão de Mauren Xavier


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