A disputa acirrada para a prefeitura de Porto Alegre deve ser espelhada também na Câmara da Capital. Novos fatores aparecem nas eleições proporcionais deste ano. A começar pela redução na nominata de vereadores, o que influencia nas estratégias internas de cada partido.
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Desta vez, os partidos e suas federações poderão lançar no máximo 36 candidatos para o Legislativo da capital gaúcha. Isso é, 100% das vagas disponíveis mais um (35+1). Até 2021, a lei estabelecia um teto de 150% do número das vagas. Em Porto Alegre podiam ser lançados 56 nomes no último pleito.
Contribuindo com o estreitamento da lista de candidatos, foi aprovado nesta segunda-feira, 12, o projeto que reduz uma vaga para vereador de Porto Alegre. Na prática, a aprovação da mudança na Lei Orgânica será um procedimento burocrático, já que todas as nominatas anunciadas já se adequaram às novas normas com no máximo 36 candidatos.
Nominata enxuta obriga partidos a inovarem nas estratégias
Com as mudanças legais, os partidos tiveram que pensar estratégias distintas das habituais até então. No MDB, partido que tenta reeleger o atual prefeito Sebastião Melo, “a aposta é em uma nominata com muitos candidatos com chance de eleição sem uma votação tão alta”, conforme o presidente municipal do partido, Alexandre Borck.
Para Borck, no entanto, a nominata não conta com “puxadores de votos”, ou seja, nomes que obtêm um número significativo de votos, acima do quociente eleitoral, e concorrem para puxar a eleição de candidatos menos votados. Atualmente, a bancada emedebista conta com quatro vereadores. Para a próxima legislatura, o presidente espera, ao menos, manter este número.
Adversário de Melo no pleito, o PT, que concorre na majoritária com a candidata Maria do Rosário, é federado com outros dois partidos: PCdoB e PV. A presidente petista na Capital, deputada estadual Laura Sito, argumenta que ser uma federação muda a estratégia interna. Ela explica que a nominata da federação foi dividida em três grupos: os candidatos mais competitivos, os que podem ganhar mais expressão durante a campanha e os que estão criando uma base para ganharem força nas próximas eleições.
Semelhante ao MDB, Laura crê que não existem grandes puxadores de votos na federação, mas sim, candidatos conhecidos da cidade e com história na Câmara de Vereadores. A expectativa dos três partidos é aumentar a bancada em uma cadeira, ao menos. Atualmente, o PT conta com quatro vereadores e o PCdoB, dois.
Também na esquerda, outra federação, entre PSol e Rede Sustentabilidade, acabou não sendo tão afetada com o enxugamento da nominata, conforme o presidente municipal do PSol, vereador Roberto Robaina. Em 2020, o PSol teve 32 candidatos ao Legislativo e a Rede nenhum, não completando o número máximo possível da nominata.
“Sempre mantivemos um número (de candidatos) semelhante. Quem tinha a nominata maior antes, perde mais”, disse Robaina, complementando que “os partidos nos quais os vereadores são mais fracos, talvez se enfraqueçam” e segue “confiante” nos candidatos da federação. Em 2020, o PSol elegeu quatro vereadores, sendo os dois mais votados.
Outro partido que está no jogo da majoritária, o PDT, que lançou Juliana Brizola como candidata à prefeitura da Capital, aspira aumentar em no mínimo 50% o número de cadeiras na próxima legislatura. Atualmente, a bancada conta com dois vereadores. Para isso, José Vecchio Filho, presidente municipal, comenta que foi montada uma “nominata bem coesa e parelha”, que deve ser “puxada pela majoritária” com a presença de Brizola.
Vecchio relata que o PDT conta com candidatos que militavam no partido, ainda não concorreram, “mas são conhecidos nas suas comunidades e sabem pedir votos”. “Nós acreditamos que temos uma ‘tropa de elite’ de 14 candidatos que vão fazer bonito, que vão puxar votos. A eleição será muito dura”, disse.
Menos vagas, mais acirramento
Apesar dos diferentes planos, é um consenso entre as lideranças que a redução da nominata ampliou o acirramento. “Como são menos espaços, nós tivemos que botar aqueles nomes que têm mais potencial de votos”, comentou o vereador e presidente municipal do Republicanos, José Freitas.
Com o partido na coligação de Sebastião Melo, Freitas explicou que a nominata mudou pouco em comparação à eleição de 2020. “Mantivemos eles (os nomes) e aprimoramos um pouco agora. Estamos trabalhando para no mínimo garantir as três cadeiras e, tudo dando certo, crescer um pouco em cima”, falou. Em 2020, a bancada elegeu dois e, na janela partidária deste ano, ganhou mais uma integrante.
Muito ativo na janela partidária deste ano, o PL, que participa da majoritária na chapa de Melo, com a indicação da vice Betina Worm, teve um vereador eleito em 2020, mas conta, atualmente, com três. A meta é aumentar.
O partido tem na figura do ex-presidente Jair Bolsonaro um cabo eleitoral importante, segundo o presidente municipal, deputado federal Luciano Zucco. “Somos o maior partido da América Latina”, disse, comentando que a redução da nominata não afetou as estratégias do partido na Capital, mas deixará a disputa mais acirrada.
Na “força da coletividade” aposta a federação entre PSDB/Cidadania. “Nossa nominata é constituída de lideranças que não compactuam com a atual polarização política entre esquerda e direita”, argumentou o presidente municipal tucano, vereador Moisés Barboza. Os dois partidos integram a coligação de Juliana Brizola, do PDT. Apesar de estarem juntos oficialmente com a pedetista, alguns membros do Cidadania e do PSDB já anunciaram que farão campanha pela reeleição de Melo.
*Sob supervisão de Mauren Xavier
