Eleições

Mapa de votação do primeiro turno mostra áreas de influência dos candidatos à prefeitura de Porto Alegre

Na etapa inicial da eleição, estratégia de Melo garantiu boa votação nos bairros, um dos desafios de Rosário

Porto-alegrenses retornam às urnas no próximo domingo, 27
Porto-alegrenses retornam às urnas no próximo domingo, 27 Foto : Maria Eduarda Fortes / CP Memória

No próximo domingo, os porto-alegrenses retornarão às urnas para decidir se mantêm a Capital sob o comando de Sebastião Melo (MDB) ou se está na hora de dar uma nova chance para o PT, com Maria do Rosário.

Não só pelo percentual de 49,72% de votos válidos, quase o dobro de Rosário e que, por pouco, não lhe rendeu uma vitória em primeiro turno, mas porque a vitória de Melo foi espalhada pela cidade: o prefeito venceu em todas as 10 zonas eleitorais de Porto Alegre e em 2.901 das 3.064 seções eleitorais, empatando em outras 10 com a petista.

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Sua concorrente, aliás, não chegou a vencer em 1% das seções. Rosário saiu na frente em 147 seções, e assim como nas seções em que empatou com Melo, as vitórias se concentraram nas zonas 1 e 2, que abrangem os bairros Centro Histórico, Cidade Baixa, Bom Fim e parte do Menino Deus.

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O restante ficou com Juliana Brizola (PDT), que terminou em terceiro lugar na disputa, e venceu somente em 10 seções. Os locais onde a pedetista conseguiu maior votação estão divididos entre a Zona Norte, no Humaitá e Farrapos; e na Zona Sul, na Hípica, Lami e Aberta dos Morros. Ela também foi a mais votada no Centro de Atendimento Socioeducativo Padre Cacique (Fase), onde obteve 15 votos, seguida de Melo, com 12, e Rosário, com 7. No local, Carlos Alan (PRTB) conquistou ainda 2 votos e Felipe Camozzato (Novo), 1 voto.

Mérito emedebista

Segundo a avaliação de cientistas políticos, a vitória conquistada por Melo é, afinal, mérito do emedebista. Para Maurício Assumpção Moya, professor de ciência política da Ufrgs, dois fatores podem ser considerados: uma boa gestão de campanha ao longo do processo eleitoral – que ajudou a amenizar e rebater as críticas dos adversários, principalmente em relação as enchentes – e a estratégia, adotada por Melo na sua trajetória política e reforçada nos últimos tempos, de ser uma pessoa “do povão”. Aliados, esses dois fatores podem ajudar a explicar os resultados.

“Em geral, a população no Brasil, e em Porto Alegre também, é bastante carente de serviços públicos. E, se aparece um político ou um governante que faz o mínimo, ainda que seja algo que nós, mais especialistas, entendamos que seja básico e muito simples, mas que esta fazendo, isso conta”, explica. E complementa: “um prefeito que tem interesse em ser reeleito, ele pode começar a fazer uma campanha, ou se preparar para a campanha, meses antes. O Melo vai desde fevereiro na periferia retirar plaquinha, tapar o buraco, plantar uma árvore”.

“O prefeito tem uma estratégia de resolver os pequenos problemas, porque resolver o problema do transporte público é complexo, tem lobby, tem custo. Tapar um buraco na rua, não. Carpir um terreno baldio, tirar os entulhos que estão fazendo água parada, isso é fácil. Cinco pessoas em um dia resolvem. Isso é muito rápido e é muito visível. Então é uma estratégia que é simples, mas eu acho que não só é válida, como é inteligente, porque é uma estratégia com o custo baixo e o benefício alto”, resume.

Para o cientista político e professor da PUC-RS, Augusto Neftali, outro fator foi determinante: “a formação de uma chapa muito sólida”. Ao manter a aliança com o PL, iniciada em 2020, o prefeito impediu a emergência de uma candidatura do mesmo campo ideológico com força suficiente para disputar os votos com o prefeito. Além disso, ao não embarcar na polarização, manteve o voto do eleitor mais bolsonarista e, de quebra, daqueles que votaram em Lula em 2022 (o presidente ganhou em Porto Alegre).

Mas o professor destaca que, ainda que Melo tenha saído vitorioso na maioria das seções, incluindo naqueles bairros mais afetados pelas enchentes, como Humaitá e Sarandi, nesses locais os números não indicam uma vantagem tão expressiva sobre Rosário. Isso pode indicar que, ainda que tenha ganho, as enchentes podem, sim, ter pesado sobre o voto do eleitor, ainda mais considerando as pesquisas de opinião anteriores a catástrofe, que indicavam uma boa avaliação do emedebista.