Eleições

Maria do Rosário lamenta derrota e promete bancada de oposição e fiscalização em Porto Alegre

Petista apontou o número de abstenções na eleição como única tristeza

Melo foi reeleito neste domingo com 61,56% dos votos, contra 38,56% da petista
Melo foi reeleito neste domingo com 61,56% dos votos, contra 38,56% da petista Foto : Mauro Schaefer

As urnas estavam fechadas há 10 minutos quando Maria do Rosário (PT), candidata do PT à prefeitura de Porto Alegre, chegou, aplaudida, no comitê do petista na Cidade Baixa. De imediato, subiu para acompanhar a apuração ao lado da coordenação e demais integrantes da campanha. Uma hora e dez minutos depois, às 18h20min, ela desceu para o seu pronunciamento final. Em um discurso de nove minutos, agradeceu a votação, aos partidos da coligação e “ao PDT nacional”; lamentou o resultado das eleições municipais no Brasil e garantiu que a bancada será oposição e fiscalização à gestão eleita.

“O resultado das eleições municipais no Brasil deve ser lido e compreendido pelas forças populares e democráticas como um desafio a ser compreendido. A participação e a vitória desse campo popular e da democracia que tem enfrentado os setores autoritários e de extrema direita. Não obtemos o resultado que queríamos, Porto Alegre também se encontra nesse contexto. Certamente nossos partidos farão uma avaliação sobre o significado do resultado”, avaliou. Diante disso, Rosário afirmou que irá propor ao PT e demais partidos a criação de um “seminário de fôlego para discutir o futuro do Brasil”.

Apesar do resultado, Rosário classificou o resultado como “vitória política”. Lamentou, entretanto, o número de eleitores ausentes. “A abstenção cresce na mesma proporção que aqueles que cumprem mandato não conseguem se conectar com os eleitores”.

Para o prefeito eleito, a quem Rosário já havia ligado e parabenizado, garantiu “tudo que Porto Alegre precisar, estaremos à disposição”. Ao lado de Rosário durante sua fala, a candidata à vice, Tamyres Filgueira (PSol), não conseguiu disfarçar o olho vermelho do choro.

Avaliação da campanha

Ao longo do dia, o discurso da vitória política havia sido adotado também nos pronunciamentos e entrevistas. Em suas falas, Rosário reiterava a "bela campanha que tinham feito", independente do resultado. Ainda que quando questionada não titubeasse no discurso do "vira voto".

Nos bastidores, o entendimento é de que o antipetismo na Capital – que é forte e segue resistindo desde a saída do PT do Paço Municipal, há 20 anos – aliado à rejeição incrustada ao nome de Rosário, foram os elementos cruciais para o desempenho tão abaixo do esperado. Também entra nesse cálculo a baixa exploração dos feitos do governo federal durante as enchentes para a cidade. Assim, pouco valia a o reforço de Rosário em se colar na figura do presidente Lula – mesmo que ele não tenha participado da campanha – se o porto-alegrense "não conseguiu enxergar" o que foi obra de Brasília.

Assim como no primeiro turno, a militância lotou a esquina da Sarmento Leite com a Comendador Batista, sede do comitê petista. Após fala para imprensa, Rosário e demais lideranças discursaram para o público presente. Dezesseis anos depois de concorrer à prefeitura de sua primeira tentativa de ser prefeita, a candidata subiu no palanque e agradeceu a militância pelo empenho na campanha. Naquela ocasião, também acabou sendo derrotada pelo MDB, que reelegeu José Fogaça.

Desta vez, entretanto, a Rosário conseguiu unificar "os campos da esquerda”, dificuldade lamentada por ela em 2008 – naquela eleição, Manuela D’Ávila “concorreu pelo PCdoB e Luciana Genro pelo PSol.

Em uma articulação que começou ainda em 2023, Rosário fez questão de garantir o apoio do PSol, que indicou a vice, Tamyres, antes que o partido decidisse por chapa única. Tentou atrair o PDT, mas a resistência ao seu nome era forte demais. No segundo turno, com a derrota de Juliana Brizola (PDT) os trabalhistas acabaram aderindo, por uma decisão nacional, a campanha. Não repercutiu em votos.

Tentativa de diminuir a rejeição

Confirmada a chapa, a campanha tentou humanizar a candidata e diminuir a rejeição ao seu nome. Trocaram o “Rosário” por Maria, abordaram sua atuação em pautas de direitos humanos sob diferentes óticas, inclusive a “cristã”, sua religião, e tentaram trazer mais do pessoal e menos do político.

Por pouco, quase não conseguiu chegar ao segundo turno e a rota foi repensada. Com o adversário fazendo 49,72% e quase levando de primeira, foi entendido que as enchentes não podiam mais ser o foco central. As críticas mais enfáticas ao prefeito ganharam espaço maior, focando em possíveis casos de corrupção e ligando Melo ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Na parte das propostas, deu rosto às queixas, humanizando os problemas.

A expectativa era de que, colando o prefeito ao bolsonarismo e trazendo “os problemas reais”, conseguisse atrair os mesmos votos que elegeram Lula em Porto Alegre em 2022. A campanha e a própria candidata se empenharam em tentar trazer o presidente, a fim de ampliar essa tática. Não tiveram sucesso.


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