Melo: "Composição só se ganhar. Não vou lotear o governo"

Melo: "Composição só se ganhar. Não vou lotear o governo"

Mesmo com ampla coligação, candidato garante que só pensará em composição de governo se ganhar o pleito.

Henrique Massaro

Mesmo com ampla coligação, candidato garante que só pensará em composição de governo se ganhar o ple

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À frente da maior coligação desta eleição municipal, Sebastião Melo (MDB) se nega a falar em composição de governo antes do fim da disputa. Um dia depois de chegar ao segundo turno como o candidato mais votado, superando as expectativas e o que mostravam as pesquisas de intenção de voto, o candidato realizou reuniões para definição das estratégias para as próximas semanas. Garantiu, mais de uma vez, que não promoverá o chamado loteamento de cargos no Executivo em troca do apoio recebido. A aliança, que contava com MDB, Dem, Cidadania, Solidariedade, DC, PRTB e PTC, teve, na reta final, o apoio do PTB após a renúncia de José Fortunati, deve seguir aumentando. Confira os movimentos que ele pretende fazer na nova etapa da campanha.

Como fica a estratégia a partir de agora? O senhor pretende buscar mais apoios?

A estratégia é convencer o eleitor que não votou a votar, tentar buscar o voto daqueles eleitores que votaram em outras candidaturas, tentar fazer um programa de televisão propositivo e reafirmando as nossas pautas nas redes sociais, caminhar pela cidade, entre outras coisas. E conversar. Amanhã (hoje) já tem reunião marcada com o PP, com o Valter (Nagelstein, que foi candidato pelo PSD), com o Derly e com o Republicanos.

Uma das manifestações de seus opositores é que o senhor teve uma mudança de postura com relação à última eleição, quando estava mais à esquerda. Como o senhor avalia essa afirmação?

Isso, vindo da minha opositora, recebo com muita tranquilidade, acho que temos que discutir é o projeto. Nessa eleição tem duas coisas, discutir biografia e projetos. Nossa campanha é de alto nível, que não terá nenhum rebaixamento de questões pessoais. E são dois projetos que vocês já percebem que são completamente antagônicos do ponto de vista da cidade. Um quer o estatismo, a cidade estatal, tudo estatal. O outro quer que as coisas funcionem parte estatal e parte através das parcerias público-privadas na área da Saúde, do saneamento, da iluminação pública. Então, são projetos diferentes e é sobre isso que o eleitor vai decidir.

Mas o senhor mesmo disse que este ano está mais no centro-direita, como avalia este posicionamento?

Sou uma pessoa do diálogo, fui assim como vereador, como vice-prefeito e sou agora como candidato a prefeito. Se tem uma coisa que não gosto é carimbar. Sou o mesmo Melo, não mudei. Agora, tenho a capacidade de fazer uma aliança com os setores do desenvolvimento econômico envolvendo aqui o vice-prefeito, o Ricardo (Gomes, do Dem), que tem um posicionamento de fazer a economia girar. Tem algum crime nisso? Não, né? Às pessoas que defendem proteção social só através do estatismo, gostaria que elas pudessem dizer como vão fazer. Como aumentar vagas de creche se não tenho dinheiro para pagar vagas? Como vou melhorar a Saúde se não tenho dinheiro? Preciso de liberdade econômica para ter proteção social. É o que vou fazer como prefeito.

A sua coligação é a maior desta eleição. Esta estratégia não traz desafios na composição do próximo governo? Como o senhor pretende encaixar todos os partidos que lhe apoiaram, como tradicionalmente acontece?

Primeiro foi passar pro segundo turno. Segundo, é ganhar a eleição. Só vou conversar sobre possível composição de governo se eu ganhar a eleição. Seria desrespeito com a minha adversária e com a população.

Mas o senhor concorda que é algo que tradicionalmente ocorre?

Não concordo com nada, eu concordo em ganhar a eleição, depois eu vou governar com os melhores quadros que tiver na cidade, dos partidos políticos também, e não vou lotear o governo. Não vou lotear o governo. Se queres uma resposta bem clara: não vou lotear o governo.

Mas é um desafio ou não é?

É um desafio governar Porto Alegre, uma aliança grande, mas é um bom desafio. Só pode fazer isso quem consegue unir. Quem não consegue unir anda sozinho, não ganha a eleição.

Não podem vir a lhe acusar de ser a tal velha política?

Até ouvi em uma rádio hoje que a minha adversária disse que a velha política… Mas a velha política sou eu ou é o PT? Considero que no Brasil e no mundo tem duas coisas: a boa e a má política. Essa coisa disfarçada, de velha política e nova, se está vendo que não é por aí. Tem a boa política e a má política. Eu sou da boa política, toda vez que tive meus mandatos eu agi com seriedade, como vereador, como vice-prefeito, nunca desviei um centavo, nunca fiz falcatrua, conchavo, e não vou ser prefeito dessa forma também. Estou com 62 anos. Tem a má política e a boa política, eu sou da boa política. Se tem alguém que quer entrar nessa discussão de velha política, digo que velha política é quem lidera uma candidatura do PCdoB e do PT, de um projeto político que não deu certo no Brasil e em nenhum lugar do mundo. E não fui eu que gastei R$ 3 milhões para ir pro segundo turno. Foi a campanha do tostão com a do milhão.


Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895