No quarto bloco do debate, candidatos partem para críticas ideológicas

No quarto bloco do debate, candidatos partem para críticas ideológicas

Sebastião Melo (MDB) e Manuela D'Ávila (PCdoB) debateram nesta terça no teatro da Amrigs

Henrique Massaro

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Com intervenção mínima do mediador, no último bloco do debate promovido pelo Correio do Povo e pela Rádio Guaíba no teatro da Amrigs os candidatos à prefeitura de Porto Alegre partiram para um confronto ideológico mais direto. Com liberdade para interromper um ao outro, Manuela D’Ávila (PCdoB) e Sebastião Melo (MDB) citaram comunismo, aparelhamento do governo, velha política, apoios recebidos no segundo turno e antigas posições políticas.

Depois que Melo começou citando algumas de suas primeiras intenções se for eleito prefeito, Manuela também destacou propostas, mas emendou críticas ao emedebista, que no bloco anterior havia criticado a Venezuela e o governador do Maranhão, Flávio Dino, que é do PCdoB. A candidata afirmou que Dino foi quem venceu José Sarney, do MDB, e quem garantiu que o estado crescesse durante a pandemia. Manuela ainda recordou que, em 2016, Melo pediu seu apoio e do seu partido para concorrer a prefeito, e mencionou um vídeo do emedebista quando era vereador, em que defendia Che Guevara. “Posso debater Venezuela, Che Guevara e Maranhão contigo, mas prefiro que tu assumas as tuas responsabilidades sobre os problemas que os porto-alegrenses vivem”, disparou.

“Tem muitas diferenças aqui”, começou respondendo Melo. “O mundo mudou e eu mudei. E tu continuas olhando para trás, um regime que não deu certo em nenhum lugar do mundo”, disse, referindo-se ao comunismo. O candidato ainda disse Sarney era recebido “com pompa” no Palácio do Planalto pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), citando que ele é um dos apoiadores de Manuela e questionando por que ele não gravou um vídeo em seu apoio. Ao afirmar que concorda com o posicionamento da candidata contra a Mina Guaíba, por entender que, a 500 metros do delta do Jacuí, ela pode interferir na água de Porto Alegre, o emedebista disse que sua grande diferença é ideológica. “A senhora diz que vai fazer tudo público, botar água pública, passagem de graça, ônibus com ar-condicionado. Não existe almoço de graça.”

Lembrando novamente a eleição de 2016, Manuela afirmou que, naquela ocasião, apoiou Melo porque ele defendia a Carris e a Procempa como empresas públicas. “Defendias que Porto Alegre precisava enfrentar a desigualdade e a política do ódio. Tu combatias com honradez o que representa o MBL, que, aliás, é a organização do teu vice. O Sebastião Melo representa a velha política, aquela do conchavo, do acordo, que nos trouxe ate aqui”, afirmou. Também citou seus próprios apoios, como os de Marina Silva, Ciro Gomes e Alceu Collares. “Vejam quem são as lideranças que caminham do lado de cada um de nóss, minhas companhias me orgulham.”

“Sabe por que eu tenho muito partido do meu lado?”, Melo indagou, depois que Manuela citou a grande coligação que o emedebista representa. “Porque nossa candidatura une, não divide”, afirmou. Sobre a insinuação de que o grande número de apoiadores possa representar loteamento do governo, o candidato disse que o PT é o partido que mais aparelhou o Estado. “Vocês têm que dar curso no mundo sobre isso”, disparou, ao lembrar que o partido do vice de Manuela, Miguel Rossetto, governou a cidade por 16 anos. A candidata do PCdoB, por sua vez, disse que a Capital é governada pelos menos partidos desde a saída do PT e criticou obras iniciadas na gestão José Fortunati - de quem Melo era vice-prefeito - e que ainda não estão concluídas.

Sobre propostas, Melo citou, que pretende se dedicar de imediato à questão da falta de água na zona Leste, a melhorias na avenida Edgar Pires de Castro - que liga a Hípica à Restinga -, e ao acesso ao Porto Seco, na zona Norte, além de conversar com o governador Eduardo Leite sobre as obras do Cais Mauá. “Vou ser um prefeito do dilogo, vou respeitar as diferenças, não vou brigar com a Câmara e com os setores econômicos, que vai trabalhar pro equilíbrio fiscal mas que não vai aumentar imposto, que vai ter um olhar muito especial pra proteção social”, disse.

Manuela destacou que também tem compromisso com a garantia do abastecimento de água e defendeu a gestão pública do DMAE. Lembrou que o desperdício de água na Capital está em 30% e que há cases de sucesso no mundo que apostaram na reestatização do serviço. Reforçou que aposta em um programa para reconstruir a economia da cidade através do microcrédito e das compras públicas. “Acreditamos que é possível fazer com que a prefeitura tenha um papel indutor da retomada da geração de trabalho e renda para o nosso povo.”

Ao final do quarto e último bloco do debate, o presidente da Amrigs, Gérson Junqueira, entregou aos candidatos a carta de compromisso Saúde Sempre, através da qual a entidade assegura a ambos plena colaboração em qualquer demanda em ciência médica, novas tecnologias e políticas de saúde. Também perguntou aos dois qual problema pontual do sistema de saúde deixará de existir ao final de seus mandatos, caso sejam eleitos. Manuela D'Ávila citou a plena informatização do serviço, possibilitando marcação de consultas por WhatsApp, além da ampliação do horário dos postos. Sebastião Melo (MDB) destacou o prontuário eletrônico - com o histórico dos pacientes em todas as unidades -, a marcação online de consultas e o funcionamento das farmácias conveniadas nos fins de semana.


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