Eleições

‘Prometi cuidar do básico e sei que isso vai ser difícil’, afirma Darlene Pereira

Prefeita eleita de Rio Grande pelo PT assumirá o município com um déficit de R$ 100 milhões

Darlene Pereira foi eleita pelo PT para comandar Rio Grande com 49,13% dos votos
Darlene Pereira foi eleita pelo PT para comandar Rio Grande com 49,13% dos votos Foto : Ricardo Giusti

Darlene Pereira (PT) será a primeira mulher a comandar a cidade de Rio Grande. Ao Correio do Povo, a futura gestora do município relatou os planos para aumentar as receitas e governar com um orçamento apertado, sem mexer nas despesas com pessoal.

A prefeita também detalhou os próximos investimentos na região portuária da cidade e quais são as suas metas para reduzir a dependência dessa atividade na economia do município e aumentar o turismo na região.

A entrevista completa pode ser acessada no canal do Correio do Povo no Youtube ou através das principais plataformas de podcast.

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A seguir, os principais trechos.

  • Quais são os principais desafios de Rio Grande?

Estamos trabalhando em um diagnóstico aprofundado da situação que vou encontrar na cidade e que vou ter que administrar a partir de 1º de janeiro. Algumas preocupações aumentam e algumas coisas nós já sabíamos no processo da eleição, outras surgem. A gente sabe que terá problemas sérios com relação à gestão financeira. Uma outra situação que está nos preocupando muito e é mais imediata é a finalização de alguns contratos do município, que são contratos importantes e que a gente não tem ainda a segurança da atual gestão de que eles vão ser renovados ou de como vamos dar conta disso. Estou falando em contratos de transporte coletivo, em contratos do sistema de informática do município, em contratos da limpeza pública. São coisas que afetam diretamente a população.

  • A construção do Porto de Arroio do Sal pode impactar a economia do município?

A gente sabe que não tem como limitar o avanço da iniciativa privada e o interesse econômico privado. Mas nós entendemos e fizemos a defesa de que precisamos melhorar a capacidade do porto. O Porto do Rio Grande é o principal indutor da economia, não só da cidade, mas de toda a região. Para isso, a gente precisa da ajuda dos governos, seja ele federal ou estadual, nos ajudando a qualificar a infraestrutura.

  • Existe algum plano para reduzir a dependência da atividade portuária?

Rio Grande sofreu muito com a parada que teve a indústria naval. Somos uma cidade muito antiga e que já passou por muitas crises, que vive de ciclos. Eu defendo que a gente possa ter outras coisas para que, quando uma não vá bem, a gente possa manter a economia da cidade funcionando. Pretendo sim buscar outras formas, trabalhar em parceria com o governo do Estado no sentido de aproveitar melhor o Distrito Industrial de Rio Grande, que é enorme e tem espaço para ampliação e diversificação da economia.

  • E o orçamento?

A previsão orçamentária de Rio Grande é de mais de R$ 1,3 bilhão e tem um déficit de quase 100 milhões. A gente precisa revisar esse orçamento, ver onde esse dinheiro está indo, como estamos gastando. Temos uma despesa de pessoal muito alta que o município precisa baixar. Tem que fazer um estudo detalhado do nosso orçamento, trabalhar muito para aumentar a receita. Por isso, o interesse em buscar novos empreendimentos e aumentar nossa arrecadação. Quando você aumenta a arrecadação, você não vai cortar na despesa de pessoal.

  • Quais os planos para comandar a cidade diante desse déficit já previsto?

Em algumas áreas, vamos pedir um serviço de auditoria para poder entender melhor esses números e trabalhar controlando a receita e a despesa. Eu não prometi grandes coisas, grandes obras, projetos faraônicos. Eu prometi que a gente ia cuidar do básico e eu sei que mesmo isso vai ser difícil. Como manter a cidade limpa, com a coleta sendo realizada.

  • E as plataformas novas que Rio Grande vai receber?

Isso foi um leilão da Transpetro, a contratação de quatro embarcações e o estaleiro do Rio Grande, junto com o estaleiro do Rio de Janeiro, de Niterói, ganharam essa licitação. Provavelmente em janeiro esse contrato seja assinado e Rio Grande vai fazer a parte dos cascos, a parte de fora da embarcação, e o Rio de Janeiro vai fazer a parte dos módulos para serem montados. Isso é um grande avanço, está havendo a retomada da política da construção naval no Brasil, e Rio Grande tem um estaleiro maravilhoso, o maior da América Latina com condições de trabalhar.

  • E os problemas com áreas alagadas nas chuvas?

A nossa cidade é extremamente sensível, principalmente com relação ao mar, à Lagoa (dos Patos). Precisamos trabalhar em projetos que prevejam o contingenciamento, a proteção de toda a orla da cidade e que a gente possa pensar em toda a península. Em seguida da enchente, o deputado Alexandre (Lindenmeyer) fez um pedido para a universidade (FURG), que já fez um estudo de concepção de cobertura de toda a península, e agora nós precisamos de recursos para desenvolver o projeto executivo que preveja essa proteção.

  • Como pretende trabalhar o patrimônio histórico?

Rio Grande tem um potencial para o turismo. Agora, não adianta ficar no potencial se nós não melhorarmos a infraestrutura, a qualidade do recebimento desse turista. A qualificação das pessoas que vão acolher o turista, as condições da cidade. Precisamos buscar projetos que financiem e criem mecanismos que auxiliem na recuperação desses patrimônios, desses prédios. Transformar isso em espaços culturais, em espaços que sejam atrativos para que as pessoas possam visitar.

  • O que o PT precisa fazer para conquistar resultados melhores em 2026?

Precisamos retomar esse diálogo. Fazer a discussão política e defender nossos projetos. A gente precisa dialogar mais com a comunidade, estar mais próximos, para que a comunidade se sinta incluída nos projetos. A institucionalidade é uma coisa bem perigosa temos que tomar cuidado. O PT, às vezes, não teve o cuidado de não descolar da base, de não esquecer de dialogar com as pessoas, construir junto. Não basta escutar, é construir junto e dar retorno para as pessoas. Se criou várias políticas públicas de inclusão e muitas vezes a gente não soube mostrar para as pessoas a importância dessa política na mudança da vida dela, e aí ela acha que cresceu, enriqueceu, comprou o carro por mérito próprio e não. Ela se formou numa universidade porque teve a cota, porque teve a bolsa de assistência estudantil, porque teve a casa do estudante. E muitas vezes a gente não soube dizer isso.

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