Eleições

Maranata diz que cheias são ‘problema coletivo’

Prefeito reeleito de Guaíba, cidade que compõe a Região Metropolitana da Capital, aposta na integração do ensino nos municípios da região

Marcelo Maranata foi reeleito pelo PDT com 78,18% dos votos
Marcelo Maranata foi reeleito pelo PDT com 78,18% dos votos Foto : Fabiano do Amaral

Com uma ampla aprovação nas urnas, de 78,18% dos votos válidos, Marcelo Maranata (PDT) foi reeleito em Guaíba e pretende se valer da sua posição de presidente da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal) para buscar a unificação do ensino nos municípios da região. Nesta entrevista, o pedetista aborda ainda a questão das cheias, que atingiram o município em setembro, novembro e maio, e o futuro do seu partido.

A entrevista completa pode ser acessada no canal do Correio do Povo no Youtube ou através das principais plataformas de podcast.

A seguir, os principais trechos.

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  • Quais são os principais desafios de Guaíba?

A educação. Não só na pandemia, as crianças também ficaram fora da sala de aula por conta do período de enchentes. Foram três momentos: em setembro, novembro e depois essa grande catástrofe de maio. Precisamos que a criança recupere esse tempo perdido. Tem uma quantidade muito grande de crianças na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) que ainda não sabem ler e escrever. Precisamos, já na educação infantil, aplicar técnicas de forma a alfabetizar as crianças para que possam, já no primeiro ano do ensino fundamental, desenvolver as outras matérias.

  • Foi a educação o ponto que, na sua gestão, não conseguiu atender como gostaria?

Não só a educação. Temos um potencial grande para o turismo, começamos um trabalho de explorar mais nosso potencial. O serviço, os restaurantes, os hotéis trazem um dinheiro novo para a cidade. Voltando à educação, tivemos um ganho na nossa gestão. Poderíamos ter tido melhores resultados se não tivesse a pandemia. Mas não tenho dúvida de que é pela educação que a gente vai conseguir fazer a grande transformação. Vamos trazer isso à Granpal, para podermos ter na RMPA uma educação iniciada pela educação infantil unificada. Já debatemos com secretários de educação da RMPA para avançar em ter um nível de educação e de material pedagógico que seja adotado pela região. Que a criança, ao trocar de cidade, de escola, tenha o mesmo acompanhamento e não venha a perder em ensino.

  • O que planeja para o futuro no tema das enchentes?

Vamos investir em uma estrutura robusta para a Defesa Civil, com treinamentos, equipamentos, todo um aparato para esses enfrentamentos. Agora, não basta só as cidades fazerem o seu tema de casa individual. É um problema de enfrentamento coletivo. O Vale do Taquari, do Jacuí, do Caí, do próprio Gravataí 1 e 2, Arroio Feijó, todos esses estuários vão acabar no Guaíba. Precisamos ter o desassoreamento dos rios, fazer a liberação da mineração naquilo que é possível. Não podemos trancar a mineração só porque se é contra ou porque não consegue-se fiscalizar.

  • Que tipo de mineração?

Mineração de areia que está no rio. É mineração comercial em locais autorizados pelo governo federal. Houve uma ação civil pública do Ministério Público contra a Fepam, exigindo que ela fizesse o zoneamento. Que seriam os locais, tecnicamente, que a Fepam pode fazer a liberação dessa mineração. Ainda não está pronto isso. Os proprietários dessas minas já foram autorizados pelo governo federal para poder atuar, e aí interromperam para discutir dentro do processo essa ação civil pública.

  • Mais de 38 mil pessoas foram afetadas em Guaíba pelas enchentes. O que foi feito para evitar novos episódios?

Começamos o desassoreamento de canais e arroios. Criamos um projeto que faz divisa com o bairro mais atingido, o Cohab-Santa Rita, que é a inversão do fluxo da água. Entre outras obras que são grandes e importantes, mas que, em um episódio exatamente igual, não nos garante. Vai ter uma condição de que rapidamente vai escoar essa água. Mas vai entrar água de novo nas casas, se por acaso acontecer de novo. Diferentemente do que esperávamos, de a água vir pelo Guaíba, a água veio pelas nossas costas. Precisa haver um estudo de toda a RMPA e dos canais que deságuam no Guaíba.

  • O senhor apontou que as prefeituras da RMPA terão dificuldade de fechar contas no final do ano. Quais?

Nenhum prefeito disse que está tranquilo. A preocupação é geral. Tem queda de ISS, ITBI, IPVA, ICMS, IPTU. Tem redução na arrecadação e houve uma promessa, tanto da União quanto do Estado, em repor essas perdas. Os prefeitos vão fazer esforço para fechar as contas, mas em algum lugar vai faltar recurso. O certo é que aquilo que foi prometido, de passar recurso para repor as perdas, seja feito ainda antes do final do ano para que todos os prefeitos, eleitos ou não, possam fechar suas contas.

  • O PDT manteve a posição de terceiro maior partido em prefeituras no RS, mas reduziu o número total. O resultado foi positivo?

Ainda acho que foi positivo. Foi uma vitória manter a terceira colocação, tendo em vista que a população tem mudado o olhar da política. As pessoas já não votam mais no partido, em bandeiras. Elas estão votando muito nos gestores, naquele que se movimenta, não fica no gabinete.

  • Sua vice é do PL e chegou a concorrer na chapa de Onyx Lorenzoni em 2022. Como foi essa construção?

Eu e Claudinha, na cidade, militamos sempre em uma condição de oposição. Conseguimos montar um projeto de governo que ultrapassa as posições dos partidos que a gente participa. Uma pessoa, quando quer um remédio, cesta básica, precisa de ônibus, não quer saber se o recurso veio da esquerda ou da direita. O trabalhismo e os nossos objetivos eram muito comuns. Conseguimos trabalhar de forma positiva na construção de políticas públicas que atenderam as pessoas. Por conta disso, conseguimos cativar 14 partidos, fazendo a maior aliança da história, com mais de 230 candidatos a vereador.

  • O PDT segue um partido de centro-esquerda?

Segue. É o caminho que o PDT hoje tem. Tenho visto a manifestação do presidente (estadual) Romildo (Bolzan) indo para um partido bem de centro, com bastante empresários, como eu também, pessoas indo mais para o centro-direita. Mas hoje a posição do partido é de centro-esquerda, tentando chegar bem ao centro.

  • O senhor se considera uma pessoa de centro-esquerda?

Centro. Sou bem centro.

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