O prefeito de Gravataí, Luiz Zaffalon, foi reeleito para comandar uma das maiores cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre. Nos próximos quatro anos, Zaffalon planeja implantar um novo sistema de alfabetização para melhorar os índices da educação no município e buscar recursos para criar um novo hospital, junto da Santa Casa. Ao Correio do Povo, o gestor detalhou seus planos e contou sobre sua saída turbulenta do MDB e a reeleição pelo PSDB.
A entrevista completa pode ser acessada no canal do Correio do Povo no Youtube ou através das principais plataformas de podcast.
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A seguir, os principais trechos.
- Quais os principais desafios para o próximo mandato?
Pretendo focar muito forte na melhoria da educação, no ensino básico, na educação infantil e na educação inclusiva. A gente já começa o ano com o programa “Alfabetizaí”, que tem o objetivo de que 90% dos alunos sejam alfabetizados no primeiro ano. E nós não tivemos grandes problemas como os outros municípios, mas tivemos alagamentos. Então, temos que focar em aumentar a resiliência da cidade para cheias. O Rio Gravataí passa quase dentro da cidade, na divisa com Viamão e Alvorada, e não tem um dique, por exemplo. Não tem casa de bombas, não tem nenhuma solução dessa. Temos que construir isso.
- E porque não conseguiu no mandato anterior focar na educação?
A gente teve que fazer um diagnóstico, porque investimentos nós tivemos em infraestrutura. Na estrutura física, em programas, em livros que não deram o resultado que a gente esperava. Então eu contratei uma consultoria para me dizer porque investimos tanto e não tivemos um resultado. E eles me apontaram exatamente isso: “não focaram na alfabetização”. Por isso estamos fazendo esse programa. Trocamos a secretária de Educação, botamos alguém que veio de uma direção de escola, foi diretora durante 15 anos, especializada no tema e que já preparou junto com a equipe pedagógica da secretaria um programa de alfabetização em massa no primeiro ano do ensino fundamental.
- O senhor tem uma grande base, como acomodar todos os partidos em uma reforma administrativa?
Esses dez partidos a gente acomoda usando a matemática. A participação de cada partido na eleição se refletiu em votos. E esses votos vão dizer qual é a participação de cada partido no governo. É a votação proporcional de cada partido na eleição. “Olha, eu fiz 3% dos votos da cidade da base do governo”. Então vai ter a participação desse tamanho. Se fez 10, a participação é 10. Não tem outro critério.
- Quem é responsável por integrar as cidades da Região Metropolitana?
Temos que ter uma agência estadual que cuide disso, a Granpal tem sido parceira e tem exigido isso do governo. Eu acho que, dentro da Granpal, já fizemos umas 20 reuniões para tratar desse tema, inclusive com o governador presente, e não vai para a frente. Essa integração tem que funcionar, mas está trancada até hoje.
- Como melhorar o atendimento do Hospital Dom João Becker?
Construir um novo hospital, essa é uma saída, uma solução. Nós já construímos uma nova UTI com 20 leitos. Ainda é insuficiente, mas passamos de 10 para 20 e uma UTI completamente nova. A emergência do hospital, que era um caco de emergência, nós fizemos uma nova com a Santa Casa, prefeitura, emendas parlamentares. Mas alguém tem que financiar isso. Para fazer um hospital novo, a Santa Casa tem um projeto, mas custa 300 milhões de reais. Nós temos que buscar recursos. Através de parceiros privados, temos legislação que permite abater imposto, IPTU e reverter para o hospital. Tem que ter projeto e dinheiro. E a prefeitura não tem como fazer um hospital público. Tirem isso da cabeça. A Santa Casa é o caminho.
- Os dados do IBGE 2021 mostram maus resultados no PIB da cidade. Houve a recuperação econômica?
Sim. Nos anos de 2023 e 2024, já é maior (a arrecadação). Ter uma indústria de automobilismo é muito bom, ser “GM dependente” é muito bom. Porém nessa parada (da pandemia) nós fomos afetados diretamente. Já houve recuperação econômica e vai se refletir agora no ano que vem.
- A segurança climática vai ser um fator determinante para que as empresas invistam nas cidades?
Já está sendo. A posição geográfica de Gravataí é fantástica. A freeway é o grande diferencial. Tem o caminho do mar, o caminho da serra, pela RS-020. A enchente, que foi o desastre de muita gente, nos ajudou a fazer as pessoas enxergarem isso. E eu quero agora posicionar mais fortemente Gravataí como um grande lugar para morar. Porque, para investir, já sabem que é. Por exemplo, hoje a cidade é um polo de logística. E isso está aumentando.
- Como foi o processo de transição para o PSDB e concorrer contra um antigo aliado político?
A minha origem é o MDB. Na minha ida para Gravataí, quando eu fui morar lá há 30 anos, eu me aproximei do Marco (Alba), que era do MDB. Junto com ele, a gente fez muita coisa, recuperou e deu visibilidade ao MDB e ele era o nome do MDB. Quando eu concorri, concorri com o apoio dele. E ele concorreria, dois anos depois, a deputado federal e a esposa dele (Patrícia Alba), a deputado estadual. E eu concorreria à reeleição, evidentemente. Era até incentivado. E aí ele não se elegeu. E como ele é o dono do MDB na cidade, evidentemente que o candidato a prefeito seria ele. Nós não brigamos. Não tivemos oportunidade e talvez nem fôssemos brigar. Somos os dois civilizados. Mas ele resolveu, como não se elegeu federal, voltar a ser o prefeito da cidade. E eu era o prefeito. Então eu fui para o PSDB, só por isso.
- O senhor é alvo de ação eleitoral movida pela coligação encabeçada por Marco Alba. Como é que está esse processo? Teme que possa perder o mandato?
Não, não tem a mínima possibilidade. Porque a decisão da juíza em Gravataí foi uma decisão técnica, mas muito bem fundamentada. Eles juntaram um monte de cacos, de antes da eleição, inclusive. Mas é aquela velha mania de sobreviver à luta. Talvez ele tenha que prestar conta para os parceiros dele. Eu e o vice-prefeito Levi não cometemos nenhum ato ilegal de campanha.
