Os percentuais expressivos somados por votos brancos, nulos e abstenções, que em nove capitais bateram os índices obtidos pelos primeiros colocados, entre elas, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, foram um recado claro das urnas aos partidos e políticos que nos discursos reconhecem o descrédito sem precedentes, mas que, na prática, fazem quase nada para mudar.
Aliás, chega a ser engraçado que dirigentes tentem prever movimentos e cobrem do eleitorado a coerência, artigo raro e há muito abandonada no cenário político brasileiro. Apesar da descrença generalizada, alguns partidos foram individualmente atingidos de forma expressiva e o caso mais emblemático foi o do PT. O partido não escapou ileso dos reflexos da Lava Jato, de escândalos envolvendo lideranças de peso, como o próprio Lula e do desgaste promovido pelos últimos meses do governo Dilma Rousseff, como a grave crise financeira, que levou a índices recordes de desemprego e aumento da inflação, sentida na pele pela população.
O pior inimigo do PT, no entanto, continua sendo o próprio PT. Majoritariamente, lideranças petistas, que antes do mensalão sustentavam a bandeira da ética como se fosse uma exclusividade, culpam agora a imprensa e o juiz Sérgio Moro e acusam setores da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e até integrantes do Supremo Tribunal Federal de seletividade e perseguição. O PT optou pela manutenção da tradicional arrogância, da ilusória autossuficiência e pela tese da vitimização e cegou para os erros dos quais foi protagonista e que acabaram sendo decisivos para deixá-lo na situação mais frágil desde que começou a construir sua ascensão ao poder.
A necessária autocrítica ficou restrita a poucas vozes, entre elas, as de Olívio Dutra, Tarso Genro e de Eduardo Suplicy, líderes históricos cujas duras avaliações ecoaram no vazio. Ao negar sua parte de responsabilidade nas derrotas que se impõem, o PT não consegue fazer o diagnóstico real, e, por consequência, falha ao tentar viabilizar uma reação. Os adversários agradecem e aproveitam.
Reflexo da militância
A arrogância de dirigentes e lideranças do PT é replicada por militantes e ganha, com as redes sociais, outra visibilidade, que gera, por sua vez, reação proporcional. As críticas aos eleitores que não votaram em representantes do partido, talvez seja o melhor exemplo. Os eleitores que optaram por outras alternativas são, segundo petistas, limitados intelectualmente, desinformados, manipulados ou agem por má-fé ou interesses pessoais.
Tom será elevado
Nelson Marchezan Júnior, do PSDB, e Sebastião Melo, do PMDB, que continuam na disputa pelo Paço Municipal, afirmaram em entrevistas ao programa “Esfera Pública”, da Rádio Guaíba, que as propostas para a cidade continuarão sendo prioridade. Considerando manifestações sutis e algumas subliminares de ambos em relação ao adversário, no entanto, é possível prever que o tom será consideravelmente elevado no segundo turno.
Urnas dão recados gerais e dirigidos a partidos e políticos
PT foi atingido de forma mais emblemática
