O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou ontem que a investigação da Polícia Federal (PF) sobre desvio de emendas parlamentares no Ceará vai tramitar na Corte. A decisão reforça as suspeitas de envolvimento do deputado Júnior Mano (PSB-CE) no suposto esquema. O STF é a instância competente para investigar deputados federais.
Júnior Mano nega irregularidades na indicação de verbas a municípios cearenses. "O deputado não tem qualquer participação em processos licitatórios, ordenação de despesas ou fiscalização de contratos administrativos. A atuação se dá exclusivamente na esfera legislativa, sem qualquer envolvimento nas administrações municipais", disse, em nota.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi a favor de manter o inquérito no Supremo. O órgão alegou que o desmembramento poderia dificultar que as autoridades tenham um panorama geral do caso e, com isso, atrapalhar o trabalho de investigação.
Prazo
Na mesma decisão, Gilmar mandou a PF apresentar em até 15 dias um relatório parcial do caso, especificando as provas colhidas até o momento e as diligências pendentes.
A investigação teve início na superintendência da PF no Ceará a partir de denúncia da ex-prefeita de Canindé Rozário Ximenes (Republicanos). Ela afirmou que o esquema de desvio de emendas se alastrou por pelo menos 51 municípios cearenses.
Carlos Alberto Queiroz Pereira, o Bebeto do Choró (PSB), que está foragido, foi apontado como operador dos desvios. Ele ficaria encarregado de abordar gestores públicos e oferecer emendas de Júnior Mano em troca de uma "comissão".
Os autos foram enviados ao Supremo após indícios de participação do deputado. As suspeitas levaram a PF a pedir a transferência do caso. No documento, os investigadores apontaram "envolvimento direto" do parlamentar nos desvios para "alimentar o esquema e consolidar sua base de apoio político".
Júnior Mano é cotado pelo PSB para disputar uma vaga no Senado em 2026.
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