Política

Governo do RS não recua e ingressará com nova ação contra União

Planalto exige que Estado recue das duas ADINs que tramitam no STF

Procurador do Estado afirmou que segue mantida determinação de nova ação do Estado
Procurador do Estado afirmou que segue mantida determinação de nova ação do Estado Foto : Samuel Maciel / CP Memória
*Com informações da repórter Flavia Bemfica  

O encontro solicitado pela advogada-geral da União, ministra Grace Mendonça, com o procurador-geral do Estado, Euzébio Ruschel, em Brasília, na última semana, não alterou os planos do governo gaúcho de ingressar na Justiça contra o Planalto. Na audiência, em que foi tratada a adesão do Rio Grande do Sul ao Plano de Recuperação Fiscal, a ministra propôs a instalação de Câmara de Conciliação para discussão de questões jurídicas entre Estado e União, evitando novas ações.

Segundo o procurador-geral do Estado, Euzébio Ruschel, no entanto, segue mantida a determinação de ingresso na Justiça contra a exigência do Planalto, para adesão ao Plano, de que o Rio Grande do Sul recue das duas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADINs) que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma delas, mais antiga, questiona a cobrança dos juros sobre juros, a outra, a dívida em si. “O encontro na Advocacia-Geral da União (AGU) não interfere nos planos. Ainda não definimos a forma, mas iremos ingressar na Justiça. O ideal seria evitar a judicialização, mas é difícil isto acontecer em relação a este ponto”, disse Ruschel à coluna.

O cronograma previsto pelo Executivo, de apresentar em Brasília, nesta semana, proposta de adesão ao Plano, viabilizando a assinatura de pré-acordo, foi modificado. Reunião visando a mais um alinhamento técnico para facilitar a tramitação será realizada antes da oficialização da proposta pelo Piratini, na primeira semana de outubro.

A adesão final depende de aval da Assembleia, o que irá gerar fortes embates no plenário da Casa em relação ao projeto que terá de ser enviado pelo Piratini em outubro. O Rio Grande do Sul está desde o dia 2 de agosto sem pagar as parcelas mensais da dívida, em função de liminar concedida pelo ministro do Supremo, Marco Aurélio Melo. Já deixaram de ser pagos cerca de R$ 450 milhões.

Adesão ao PRF depende da AL

Para atender à exigência de privatização de empresas dos setores financeiro, de energia, saneamento e outros, o Piratini oferece Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Badesul e Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR). Os técnicos federais insistem em ativos “melhores” e lembram o Banrisul.

No pré-acordo com a União, o Rio Grande do Sul precisa especificar quando e como chegará ao equilíbrio fiscal, mas depende de autorização da Assembleia para a adesão. Governistas pretendem fechar o acordo até o fim do ano. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) e o Legislativo instalaram expedientes para acompanhar as negociações.