"Nós achávamos que poderíamos ter tido de 23 a 25 votos", admitiu o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). O parlamentar afirmou que pretende reunir o grupo dos independentes após a folia carnavalesca para tomar uma posição conjunta. Randolfe Rodrigues relatou que pretende pedir ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, a íntegra da denúncia criminal apresentada na sexta-feira passada contra Renan Calheiros. A ideia é ter o mesmo procedimento adotado em relação ao senador cassado Demóstenes Torres (sem partido-GO). Os senadores conseguiram ter acesso ao inquérito contra o ex-parlamentar que corria sob segredo no Supremo Tribunal Federal (STF).
A acusação, sigilosa e divulgada pelo site da revista Época, revela que Renan cometeu os crimes de peculato (desvio de dinheiro público), uso de documento falso e falsidade ideológica. De acordo com a Procuradoria, o peemedebista não tinha patrimônio suficiente para justificar os gastos com despesas pessoais decorrentes de uma filha tida em um relacionamento extraconjugal. Na época do escândalo, em 2007, Renan foi acusado de ter esses gastos bancados por lobista de uma empreiteira.
Na ocasião, o parlamentar apresentou notas fiscais para comprovar que o dinheiro obtido com venda de gado bancou a soma pendente. A Procuradoria-Geral da República considerou, no entanto, que as notas eram "frias". Questionado antes da eleição, Calheiros não quis falar sobre divulgação do conteúdo da denúncia criminal. "Estou confiante (sobre a vitória). Não vi a reportagem", garantiu.
Dilma parabeniza o novo líder do Senado
Assim que desembarcou de Brasília, pouco depois das 17h, regressando de uma viagem a Belém do Pará, a presidente Dilma Rousseff telefonou para Renan Calheiros. Ela o parabenizou e desejou sucesso à frente do comando do Congresso.
Antes de Dilma, o vice-presidente Michel Temer conversou com o político também para parabenizá-lo. Temer elogiou o discurso do senador, que considerou "positivo" por ele, já que repassava uma mensagem de claro objetivo de pacificar o Congresso. De acordo com Temer, o discurso de Renan Calheiros mostrava que ele está "olhando para a frente", revelando que "não guardou mágoas" e que estava preocupado "apenas em superar as divergências".