Política

Lula cobra resposta de Fachin e Gonet em meio à crise no STF

Presidente afirmou que cabe aos chefes do Supremo e da PGR dar “o mínimo de tranquilidade” à sociedade e defendeu transparência diante dos recentes conflitos na Corte

Ao longo do discurso, Lula também defendeu uma nova reforma do Poder Judiciário
Ao longo do discurso, Lula também defendeu uma nova reforma do Poder Judiciário Foto : Edilson Rodrigues / Agência Senado / CP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta sexta-feira (4) uma resposta do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, diante da crise envolvendo ministros da Corte. Durante um evento com a participação dos dois, Lula afirmou que cabe a Fachin e Gonet oferecer “o mínimo de tranquilidade” à sociedade e defendeu transparência na condução dos fatos. “A Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República estão com muita expectativa da sociedade brasileira, porque, quando os filhos dentro de casa estão em desordem, quem manda na casa é que resolve. Então, meu caro [Fachin], está nas tuas costas, nas costas do Paulo Gonet, a responsabilidade de passar o mínimo de tranquilidade sem tentar esconder absolutamente nada”, afirmou.

Ao longo do discurso, Lula também defendeu uma nova reforma do Poder Judiciário e disse que nenhum agente público pode utilizar o cargo que ocupa em benefício próprio. “Tenho certeza de que faremos, para o próximo ano, uma discussão profunda sobre a necessidade de uma nova reforma do Poder Judiciário brasileiro, para que o povo possa continuar acreditando na Justiça, porque ninguém, em nome da democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Ninguém”, declarou.

Segundo o presidente, o princípio deve valer para todos, independentemente da posição ocupada. “Isso vale para o presidente da República, vale para um catador de material reciclável, vale para uma parteira e vale para uma médica. Todo mundo tem que estar subordinado aos mesmos trâmites da legislação.”

Lula também criticou a divulgação de informações que, segundo ele, podem ser utilizadas com interesses políticos. O presidente afirmou que vazamentos seletivos e a disseminação de informações falsas podem comprometer a confiança da população nas instituições responsáveis pela Justiça. “O que nós não podemos nesse país é oficializar a indústria da fake news, a indústria dos vazamentos seletivos por interesses políticos. Não é possível. Se a gente não der uma parada nisso, a gente vai perder a credibilidade que nós queremos que a sociedade tenha na Justiça”, disse.

As declarações ocorrem em meio à crise no STF provocada pelos desdobramentos do caso Banco Master e pelo confronto entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. O episódio ganhou novos contornos após a divulgação de mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes e de documentos produzidos pela Polícia Federal.

Mendonça determinou a retirada do sigilo de documentos relacionados ao caso, enquanto Moraes apresentou uma representação contra o colega e pediu a abertura de uma investigação por supostas irregularidades na condução de procedimentos. Fachin, por sua vez, determinou que o pedido de Moraes contra Mendonça tramite em processo separado do inquérito das fake news. O presidente do STF também estabeleceu prazos para manifestações da Procuradoria-Geral da República e de Mendonça antes de decidir sobre o prosseguimento do caso.

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